NIDCAP – Cuidados mais amigos do bebé

Se os argumentos científicos que defendem a necessidade de programas como o NIDCAP não são suficientes, então o argumento do reconhecimento do sofrimento quando estamos perante ele poderá fazer a diferença. É uma questão moral e humana de respeito e compreensão. Para quem faz de programas como estes a sua forma de cuidar é um caminho sem retorno. Todos os bebés internados importam, no entanto para aqueles que ficam internados dois ou três meses, a qualidade da sua longa estadia imprime, sem dúvida nenhuma, um cunho fortíssimo no seu futuro. Um bebé não entende a lógica de um internamento, não compreende a dor e o desconforto que passa a sentir, a distância que nasce de quem o confortou e protegeu durante meses no útero materno… É uma realidade que abruptamente faz parte da sua vida e enquanto luta pela sobrevivência vê-se num sítio que nunca conheceu, sentindo sensações completamente novas, avassaladoras e intensas, durante semanas. É como se fossemos tele-transportados para Marte ou Júpiter com tudo o que isso possa acarretar para a nossa sobrevivência e adaptação! A realidade para os bebés prematuros internados apresenta-se desprovida de sentido e justificação, como pedaços de experiências e histórias sem nexo, que lhe causam ansiedade e sofrimento. Um recém-nascido não entende porque têm que lhe esfregar a pele com água, ou desinfetantes… porque têm que lhe picar as veias ou colocar tubos na boca. A realidade das UCIN é esta, muito embora cresça um sentimento de maior compaixão e atenção pelos bebés e suas famílias e se respeitem os seus sinais de dor e desconforto com atitudes clínicas capazes de diminuírem as experiências de dor e desconforto e tratar a dor quando inevitável.

O NIDCAP é um programa que permitiu abrir mentalidades ao mostrar o que os bebés sentem interpretando a sua linguagem muito própria e ao mostrar-nos o que lhes agrada e o que lhes causa desconforto, dor e tristeza. Nessa perspetiva eles passam a ser sujeitos ativos dos seus próprios cuidados e do seu desenvolvimento. Por outro lado abriu as portas aos pais como agentes mobilizadores de experiências positivas consistentes e duradouras de afeto e pertença. Estreitou os laços, quebrou barreiras, deu coragem ao oferecer instrumentos importantíssimos para interagirem e cuidarem de forma a responderem às expectativas de crescimentos dos seus filhos. Permitiu a profissionais e aos pais conheceram as fragilidades dos bebés/ filhos altamente sensíveis e vulneráveis ao ambiente das UCIN e às experiências neonatais adversas e reconhecer potencialidades apoiando os seus esforços para se protegerem, se confortarem e aprenderem. Com estes programas mais amigos do bebé procura-se aumentar as experiências positivas de afeto e conforto defendendo a presença dos pais, a amamentação e o método canguru; pretende-se defender o sono e o repouso aspetos importantíssimos para o crescimento, o desenvolvimento cerebral e cognitivo, e para a reparação dos tecidos e recuperação da doença; pretende-se com estes programas de suporte ao desenvolvimento reduzir ao mínimo os insultos ao desenvolvimento da visão, da audição, do tato, do cheiro ou do gosto, e em último caso da personalidade. No fundo o NIDCAP defende a humanização das relações entre os profissionais os pais e os bebés; defende o toque afetuoso e a individualidade; defende os papéis familiares e a pessoa. Finalmente creio que tornou os profissionais mais felizes porque os bebés passam a estar mais satisfeitos, mais confortáveis e mais estáveis. Não é a tentativa de criar um ambiente o mais parecido com o útero, isso é uma utopia. É a necessidades de criar um ambiente que respeite cada bebé de forma individual, que apoie o seu crescimento e desenvolvimento, em estreita relação com os pais e corrigindo desvios médicos inerentes à prematuridade e à hospitalização. É um todo em sintonia com uma só pessoa, o bebé.

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1 pensamento em “NIDCAP – Cuidados mais amigos do bebé

  1. Olá Elsa, em primeiro lugar quero felicita- pelo site. Quando vi a publicação no face da APMI desconfiei logo de quem seria a autora. Parabéns, esta lindo! A vida da imensas voltas, mas quando há paixões comuns de certa forma acabamos por nos cruzarmos várias vezes. A primeira foi em Faro, na formação da Cherry Bond já la vão muitos anos. Neste momento trabalho no mesmo triste que ela, experienciado a realidade british…Abraço grande e continuação do excelente trabalho desenvolvido :)

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