O ruído e o desenvolvimento da audição no prematuro

Bebé a "conversar" com a mãe

Os cinco sentidos são a ponte para que o bebé comunique com o mundo exterior, receba informações do ambiente e aprenda. A audição é de grande importância para nós humanos e para vida do bebé. Quando ele nasce prematuro e é internado as condições ambientais alteram-se drasticamente influenciando o desenvolvimento adequado deste e dos outros cinco sentidos.

O desenvolvimento do sentido da audição envolve as duas fases distintas: a formação das estruturas do ouvido interno e externo até às 20 semanas de idade gestacional, e das conexões neurosensorias do ouvido ao córtex auditivo, no cérebro, após as 20 semanas de idade gestacional. A audição encontra-se funcional por volta das 25 semanas contudo a complexa teia que permite receber sons e transformá-los em mensagens neuronais, a descriminação de padrões de fonemas, da carga emocional que podem transmitir, entre outras particularidades do desenvolvimento da criança, prossegue até aos 5-6 meses de idade. Destas, o desenvolvimento coclear, do ouvido médio e do córtex auditivo no lobo temporal são de particular importância para a funcionalidade em pleno da audição, e são todos eles sensíveis a estímulos externos e a práticas que ocorrem no ambiente hospitalar. Estas estruturas requerem a estimulação externa como a voz humana, a música e outros estímulos ambientais benéficos que surgem no dia-a-dia do feto ou bebé.

A exposição à voz, à música ou a outros estímulos ambientais benéficos são imprescindíveis entre as 30 e as 40 semanas de gestação. Um prematuro deve ouvir a voz da mãe num estado de alerta tranquilo, num ambiente cujo ruído de fundo não vá além dos 50 db, ou em sono tranquilo, seguido de um período de sono REM (Rapid eye movements). Para tal é necessário que ocorram múltiplos períodos de interação seguidos de sono REM. Fetos expostos a níveis de ruído superiores a 80 db, à televisão, maquinaria ou em salas muito ruidosas e com ausência da voz, apresentam um atraso de 2 meses na aquisição da linguagem. Estas crianças não criaram os circuitos necessários para a aquisição de fonemas, padrões do discurso e de particularidades inerentes à voz materna bem como de outras vozes próximas. Quando o mesmo tipo de som, música ou voz são tocados de forma repetida o bebé acomodar-se-á e deixará de responder.

A voz humana, a música ou outros estímulos ambientais favoráveis beneficiam não só as estruturas associadas à audição mas também contribuem para o desenvolvimento de outras partes do cérebro relacionadas com as emoções e as sensações de medo, alegria, tristeza ou ansiedade, ou seja os estados emocionais que se podem inferir através dos sons. O reconhecimento do tipo de humor, e qualidades emocionais através do que se ouve já são conseguidos por fetos com 32 semanas gestação pelo reconhecimento de padrões sonoros adquiridos.

Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais – UCIN

Sabemos que as UCIN são sensorialmente exigentes para bebés doentes, sensíveis e prematuros. Bebés prematuros e recém-nascidos não conseguem descriminar os sons benéficos (a voz da mãe) num ambiente cuja intensidade sonora vai além dos 60 db. Quanto mais ruidoso o ambiente menor a capacidade de ouvirem aquelas frequências necessárias para conectar as células ciliares da cóclea. Ruídos frequentes e altos irão interferir no desenvolvimento auditivo, sobretudo na descriminação de frequências. A estimulação auditiva (voz e a música) deve ocorrer na UCIN para que o córtex auditivo se desenvolva e para que as células cocleares se conectem. O controlo do ruído ambiente onde o bebé se encontra, a correta estimulação através da voz ou da música e a promoção do sono, em especial do sono REM, são essenciais para o desenvolvimento adequado do sistema auditivo.

Para o bebé internado os níveis de ruído na UCIN devem estar abaixo dos 55 db, proporcionando um ambiente confortável e permitindo que o bebé ouça a voz da mãe e de outras pessoas próximas. É a variabilidade e a qualidade dos sons que contribuem para um desenvolvimento adequado do sentido da audição. O controlo do ruído permite também que o sono não seja interrompido onde o cuidado extremo com o controlo de sons abruptos como os alarmes deve ser uma preocupação de todos e sempre. Sons muito altos e abruptos também causam alterações fisiológicas nos prematuros e em bebés doentes e sensíveis com aumento da frequência cardíaca, da tensão arterial, alteração do padrão respiratório e aumento do consumo de oxigénio.

Graven, Stanley N.; Browne, Joy V.- Auditory development in the fetus and infant. Newborn and Infant Nursing Reviews, Elsevier Inc, Dezembro 2008 (187-193).

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2 pensamentos em “O ruído e o desenvolvimento da audição no prematuro

  1. Estou preocupada com meu filho ele naxseu de 36,4 semanas e tem 7 dias de vida, ele no responde a nenhum barulho esteja silencio ou agitado o ambiente é indiferente dia 2 vou fazer o teste da orelinha.

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