Do aleitamento à amamentação do bebé na UCIN – I

Amamentação na UCIN

Ninguém pode amamentar o seu filho! É uma das coisas mais importantes que pode fazer por ele – cuida da sua saúde agora e no futuro.

O leite materno é o alimento mais indicado para o crescimento e desenvolvimento do seu filho. Para o bebé que nasce prematuramente o leite materno é ainda mais vital do que para o bebé de termo. O colostrum, o nome dado ao primeiro leite segregado pela glândula mamária, é importante para proteger o intestino do bebé e protege-lo de infecções  É algo dinâmico, e por incrível que pareça a mãe que amamenta um bebé que nasceu prematuramente irá produzir leite adequado a esse bebé, ao seu bebé e a cada fase do seu desenvolvimento.

O bebé que nasceu prematuramente pode não conseguir ou estar preparado para extrair da mama o alimento necessário para crescer de forma saudável. Nestes casos é alimentado através de soros – alimentação parentérica, através de uma sonda introduzida no estômago ou do copo. No caso de a mãe optar por amamentar, o leite materno é desde logo a primeira escolha. Cada um dos métodos referidos dependem da situação clínica do bebé, da sua idade gestacional e da sua capacidade e maturidade para ser amamentado. Fornecer leite materno ao bebé, isto é aleitar, requer a extracção mecânica de leite. Aleitar o seu bebé é uma das tarefas grandiosas que poderá fazer por ele. Mesmo que ele não esteja preparado clinicamente para receber o seu leite é aconselhado que inicie a estimulação mecânica ou manual da mama logo que possível, até 6 horas após o parto. De início o bebé tomará pequenas quantidades de leite a cada 3 ou 4 horas. Não se preocupe se extrai apenas umas gotas nos primeiros dias. Cada gota será guardada e, logo possível, utilizada para alimentar  o seu filho. Os profissionais de saúde têm consciência da importância deste acto para si e para o seu filho. Peça informações e seja clara reafirmando a sua intenção de aleitar e/ou amamentar.

Benefícios do leite materno:

  • É o melhor alimento para o crescimento e desenvolvimento cerebral;
  • Contém anticorpos que protegem e ajudam o bebé a lutar contra infecções;
  • Está sempre preparado para colmatar as necessidades do bebé ao longo do tempo;
  •  Melhora a densidade óssea;

 Diminuiu a incidência de:

  • Doença e permanência no hospital;
  • Diarreia e vómitos;
  • Infecções dos intestinos;
  • Enterocolite necrotizante;
  • Cólicas;
  • Diabetes e obesidade infantil;
  • Otites;
  • Infecções respiratórias;
  • Alergias e asma;
  • Síndrome de morte súbita do latente;
  • Meningite;
  • Cáries dentárias;

O leite materno é o único alimento indicado para o bebé humano. Fornece centenas de componentes essenciais em especial se nasceu prematuro.

O bebé nascido prematuro necessita ainda mais do leite materno do que o bebé de termo!

O seu bebé necessita de fluidos e nutrientes para fazer face a este grande desafio que é viver fora do útero materno, crescer e desenvolver-se. O primeiro leite produzido parece muito diferente. É muito importante dar-lhe o seu colostrum logo que possível. O colostrum contém anticorpos que protegem o estômago e os intestinos bem como outros factores de protecção. Mesmo as poucas gotas ajudam.

O leite materno contém ácidos gordos de cadeia média e longa – ómega 6 e 3 – importantes para o desenvolvimento das células cerebrais, sobretudo para a sua mielinização. A mielina é uma substância que circunda os neurónios isolando-os. Ela é responsável pela transmissão mais rápida dos impulsos nervosos, um processo importante no desenvolvimento da inteligência. É interessante que a gordura contida no leite materno é muito elevada durante o primeiro ano de vida, altura em que a mielina é mais necessária para o desenvolvimento do cérebro humano.

Como obter o leite materno para oferecer ao seu bebé?

Quase todas as mães conseguem produzir leite. É importante deixar claro que pretende amamentar o seu filho. Os profissionais devem, encetar todos os esforços para que a aleitação e a amamentação seja uma realidade enquanto ele estiver internado na UCIN.

Muitos hospitais têm profissionais devidamente preparados para a ajudar a iniciar e manter o aleitamento materno independentemente da condição do seu filho. Poderá recorrer aos Cantinhos de Amamentação espalhados pelo país e à ajuda dos Conselheiros e Promotores do aleitamento materno! É importante extrair o leite já que é a melhor forma de o alimentar e ajudar a desenvolver-se. Pode ser necessário tempo e esforço extra para conseguir extrair o leite necessário.

Se o seu filho nasceu de parto normal o seu corpo já iniciou a produção de hormonas como a prolactina e a oxitocina para iniciar a produção de leite. O método canguru e a extracção de leite junto do bebé podem ajudar na libertação destas hormonas. Comece a extrair leite logo após o nascimento e nas primeiras 6 horas. Lembre-se que essas pequenas gotas iniciais são muito valiosas.

Pode extrair leite manualmente ou mecanicamente. Procure ajuda imediata. É importante extraia leite mais frequentemente e por curtos períodos de tempo para que inicie a produção.

Pode sentir-se ansiosa e pressionada para extrair o leite suficiente que cubra as necessidades do seu bebé. Não se aflija, de início o bebé precisará apenas de pequenas quantidades de leite. A quantidade de leite que extrai aumentará quanto mais e frequentemente conseguir extrair. Faça do momento de extracção uma rotina diária, relaxe e pense nos benefícios que está a proporcionar. Segurar o seu bebé na posição de Canguru antes de extrair pode ajudar a aumentar a quantidade de leite.

O leite é armazenado pelo pessoal hospitalar, disponibilizado e separado à medida que o seu bebé irá necessitar. Siga as recomendações da unidade relativas à extracção,  acondicionamento e armazenamento do leite materno. Em regra o leite pode ser guardado:

- 24 horas no frigorífico (< 4°);

- 3 meses no congelador.

Este leite necessita de ser cuidadosamente rotulado com o seu nome, data e hora de extracção (consoante as indicações do hospital).

Cuide de si! Beba água, alimente-se bem e descontraia.

Pense que nos primeiros dias poderá ser das poucas coisa que poderá fazer pelo seu filho e a única que só você pode dar nesta fase e no futuro!

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1 pensamento em “Do aleitamento à amamentação do bebé na UCIN – I

  1. disse:Falar sobre a minha experiência com a amamentação daria um livro. Tentarei resumir a minha experiência neste espaço e espero ajudar de alguma forma as futuras mães:Marina grudou no meu peito nos primeiros instantes de vida. Foi o nosso primeiro contato e eu entendi o que era aquele amor que me diziam que existia e que apesar de eu imaginar, eu não tinha como dimensioná-lo, como visceral. Assim foram o segundo, o terceiro, o quarto encontro para a amamentação. Mas, a magia parou mais ou menos por ai. Cada dia foi ficando mais doloroso amamentar, o bico dos meu peito feriu e quando Marina sugava era como se estivessem jogando álcool numa ferida aberta. Com 4 dias de nascida, a 10 de Janeiro de 2011, uma amiga de uma amiga, sensibilizada com o que eu estava vivendo, abriu a porta de sua casa e me ensinou a amamentar. Entendi que amamentar não era tão natural e romântico como era tratado pelas campanhas. Ela me ensinou a fazer massagens e a ajudar a Marina a fazer a pega da forma correta (ela mamava inicialmente o bico e foi isso que me machucou daquela forma). Foi ficando mais difícil, mas, a essa altura eu estava com um segundo problema: o choro constante de Marina e a insegurança quanto a saciedade dela com o meu leite. Não tenho duvidas que essa foi a parte mais complicada. Procurei a ajuda do pediatra que sem avaliar a situação como merecia receitou o NAN e afirmou peremptoriamente que era fome. Meu mundo caiu ali, pois eu tinha muito forte em mim que eu poderia ficar sem o bico do peito, mas, não abriria mão da amamentação exclusiva em livre demanda até os seis meses. Liguei para uma amiga desesperada e ela disse que eu NÃO DESSE COMPLEMENTO que Marina não tinha, necessariamente, fome e que o choro pode indicar muitas coisas e naquela fase era provável que fosse apenas adaptação ao mundo. Não comprei o NAN. Insisti com a amamentação. Dentre outras coisas ouvi que talvez meu leite fosse fraco. A essa altura eu já estava bem forte e apesar de incomodada com a desinformação, sobretudo das pessoas mais velhas que não acreditam na amamentação exclusiva em livre demanda até os 6 meses. Bom, me sinto muito realizada em ter vencido as minhas limitações e a pressão externa que tentavam empurrar um mingauzinho em minha filha para matar a suposta fome dela. Marina já está quase com 7 meses, é forte e saudável. Só a partir dos 6 meses introduzi alimentos e ela está tirando de letra essa novidade. O peito virou entretenimento, dou apenas 3 vezes ao dia para fazer uma gracinha . Entendo as mães que desistem pois, de fato, não é fácil. Mas, aconselho a todas que tentem se superar. O Amor foi meu alicerce, pois, eu sabia que o meu leite era o melhor que ela poderia ter. Para, você, como sempre, engajada em causas nobres! Parabéns pelas fotos! Elas são sensíveis e tocantes. Seu olhar sobre as coisas diz muito sobre você! Beijos!

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