Brincar com o meu filho na UCIN

Brincar com o meu filho na UCIN

Bebé a "conversar" com a mãe

Bebé a “conversar” com a mãe

Os pais não são visitantes quando o filho está internado na UCIN. Numa unidade hospitalar que se rege pelos Cuidados Centrados na Família (Family Center Care) eles têm um propósito muito importante: constituem o elo que falta na equipa multidisciplinar que cuida do filho. Eles podem cuidar do seu bebé de forma INDIVIDUALIZADA, com ATENÇÃO FOCALIZADA E DIRECIONADA e com uma cadência e forma CONSTANTES. Existem imensas atividades que os profissionais podem simular. Simular sim, mas nunca substituem o colo, o canguru, o cheiro, a voz e a ternura dos pais.

Serem pais, em especial nos primeiros dias, pode parecer a tarefa menos importante enquanto os profissionais rodeiam o pequenino de cuidados, tubos, fios e aparelhos que sustentam a vida. Contudo existe sempre algo que podem fazer e que permitir oferecer ao bebé experiências mais gratificantes e reconhecidas de quando estava dentro do útero materno. Nascer não é um princípio mas o continuar de vivências. O vosso bebé já tem algumas recordações, algumas certezas e muitas, muitas dúvidas por não reconhecer a UCIN e os profissionais que lá trabalham. Cabe a vocês oferecerem-lhe muito do que ele conhece como forma de manterem alguma constância na sua vida. Pequenos gestos que muitas vezes se revestem de grande receio e indecisão são a continuação da partilha física com a vossa presença, do amor e necessidade de proteger.

O futuro do vosso filho depende da vossa presença desde o primeiro dia!

Tudo o que se passa desde o minuto zero e tudo o que lhe possam proporcionar irá contribuir para o crescimento e desenvolvimento neurológico, psicológico, emocional e social.
Estar presentes é assim o primeiro gesto de amor que podem ter. Depois os profissionais irão envolve-los cada vez mais nas atividades diárias da unidade e assim sentirem-se mais úteis.
Podem fazer muito pelo vosso bebé: observar, conhecer e admirar o quanto ele é forte e bonito apesar de pequeno e frágil. É uma oportunidade única de conhecer quem o vosso filho é muito antes de qualquer outro que nasça com o tempo todo. Entender o funcionamento do seu corpo, as suas reações e as suas conquistas e progresso é crítico para o seu futuro. Cada gesto, cada expressão, cada movimento é uma pista para compreenderem o que ele sente e como está a lidar com essa alteração tão brusca de ambiente – do útero materno para a UCIN.
O toque é fundamental quando se torna um instrumento muito importante de transmissão de amor, respeito e calma. Permite que para além dos cuidados médicos o vosso filho possa sentir a vossa pele e o vosso cheiro. O toque como o simples pousar das mãos na sua pele, ou no seu corpo vestido, ou quando pegam ao colo, em canguru, permite que se conforte com o bater do vosso coração e com o cheiro da vossa pele, recordando a tranquilidade do útero materno. A tranquilidade e a serenidade devem ser uma constante durante o percurso na UCIN e são importantes na construção de sentimentos de segurança e confiança  e no crescimento e desenvolvimento cerebral harmonioso. Através do toque podem sentir se o vosso filho está calmo e confortável e ajudá-lo a atingir alguns patamares do desenvolvimento que serão importantes no futuro: o levar as mãos à boca e à linha média, junto do peito ou da face. Poderão ajudá-lo a relaxar juntando os seus pezinhos, sola com sola, na linha do umbigo e sentir a sua barriguinha molinha e as pernas suavemente dobradas. Este gesto alivia tensões, ajuda a mudar a fralda sem que ele perca muita energia a esticar e dobrar as pernas, ajuda-o a manter o calor e facilita a aquisição de competências importantes durante a primeira infância como o sentar e o gatinhar. Façam deste gesto uma forma de brincadeira diária e permanente, sempre que esteja acordado, ou sempre que o abordem para fazer algo.

Ajude-o a conseguir regular-se, a levar as mãos à boca, a enrolar as pernas e os braços junto do corpo ou a agarrar algo. Após algum tempo, e quando estiver mais estável, ele próprio levará as mãos à boca, as pernas junto do corpo, e a confortar-se!
Depois, no colo ou no canguru, permita que durma, que ouça o seu coração, que sinta o cheiro do leite materno. Depois que ouça a sua voz enquanto o envolve na sua vida e nos sonhos que tem para ele. O pai é bem-vindo como forma de prolongar estes momentos na ausência da mãe ou com a mãe no reforço da existência familiar. O que é importante é que ele sinta tranquilidade e amor no mundo caótico que pode tornar-se a UCIN. O canguru pode prolongar-se para lá da hospitalização até quando o seu bebé mostrar sinais de não gostar.
Com o tempo poderá apresentar-lhe algum amiguinho de peluche, com cores fortes, desde que ele mostre interesse em observar. Observar o ambiente requer um bebé tranquilo, maduro e seguro das mudanças que o seu corpo já fez para se adaptar ao mundo fora do útero. Por vezes pode levar algum tempo, outras acontecer logo nos primeiros dias. Observe os seus comportamentos e rapidamente saberá quando pode iniciar uma nova atividade ou prolongar outra. Sinais como soluços, bocejos ou tremores podem ser um indício de que o bebé está cansado, ou ainda não consegue assimilar um estímulo. A aquisição de competências, como a alimentação pela boca (na mama por exemplo) pode ser esgotante e muitas vezes levar a que o bebé regrida algumas conquistas, como o alerta tranquilo e prolongado. Veja estas fases de crescimento e adaptação como fases importantes do desenvolvimento e da aquisição de competências, e que requerem ajustes internos importantes sobretudo fisiológicos. Nunca, nunca se esqueça que o seu bebé nasceu antes do tempo, e que como tal tem que realizar atividades para as quais o seu corpo não está preparado, nem maduro.
Quando conversa com ele descubra que sons ele prefere. Se gosta do a(o) ouvir cantar ou apenas falar. Conte-lhe uma história. À medida que ele cresce e se torna mais maduro, perspicaz e atento ao ambiente, deixe-o olhar para si, para a sua cara, frente a frente e sorria, fale, gesticule com os músculos faciais, e brinque com a capacidade de imitação que surge muito perto da idade de termo.

Não se esqueça de o deixar dormir. Dormir é importante para o crescimento cerebral, para a aquisição de competências importantes ao nível das memórias futuras, para o desenvolvimento auditivo e visual. Esta recomendação é especialmente importante quando o bebé requer muitos cuidados médicos em que o sono é constantemente interrompido. Os técnicos devem assegurar que o sono é protegido quando as intervenções não são urgentes. Colabore com eles. Observe e pouse as suas mãos quentes sobre a cabeça, ou à volta das suas costas e aguarde preservando o seu sono e tranquilidade.
Assegure que é pai e mãe enquanto ele está na unidade, participe no maior número de tarefas possível, mesmo nas mais delicadas e desconfortáveis. Conforte o seu bebé e ajude-o a ultrapassar os momentos mais difíceis. Partilhe as suas conquistas, o primeiro banho, a primeira vez que é alimentado à boca. Como qualquer bebé ele irá progredir, crescer e os únicos testemunhos que prevalecerão para memória futura são os vossos!

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Reduzir o risco de morte súbita

Síndrome de Morte Súbita do Latente

O Síndrome de Morte Súbita do Latente – SMSL – é como o próprio nome indica um episódio inesperado de cessação das funções vitais sem causa aparente e que ocorre no primeiro ano de vida. São apontados alguns riscos que estiveram associados à morte de latentes para os quais foram emanadas medidas preventivas.

Diminuir o risco de morte súbita

  • Deite o bebé de costas quando vai dormir;
  • Não fume durante a gravidez e não permitir que fumem no compartimento onde está o bebé;
  • Se bebeu álcool, tomou drogas ou fuma não partilhe a cama com o bebé;
  • Não adormeça com o bebé no sofá ou cadeirão;
  • Não deixe que o bebé aqueça de mais. Mantenha a cabeça do bebé a descoberto e coloque-o a dormir no fundo do berço ou cama para que toque com os pés no fundo do berço.

Qual é lugar mais seguro para o seu bebé dormir?

Na história da espécie humana os bebés não se separavam das mães, passavam o dia no seu colo, ou às costas, e dormiam com elas permitindo a alimentação frequente e a sobrevivência da espécie protegendo os bebés de predadores. Biologicamente os bebés humanos necessitam de estar em contacto permanente com as mães ou prestador de cuidados. Necessitam de se alimentar com muita frequência (aproximadamente 8 vezes dia), de serem limpos e protegidos. Esta necessidade obriga a que as mães se mantenham por perto o que é facilitado com a proximidade, sobretudo no período da noite, em que a amamentação exclusiva é facilitada se o bebé dormir no quarto ou na cama com a mãe. Algumas entidades rejeitam de todo a partilha da cama argumentando o aumento da incidência de morte súbita. Contudo James McKenna, antropólogo e investigador da área do sono e director do Laboratório do Sono Mãe-filho da Universidade de Notre Dame  refere que não há evidencia nenhuma de que a partilha do leito não é segura, ou que não é quase sempre segura, ou que não possa tornar-se segura. Para este autor as evidencias apontam claramente as circunstâncias que tornam a partilha do leito perigoso e que podem aumentar o risco de SMSL – tabagismo na gravidez e após, prematuridade, posição do bebé de barriga para baixo, com o apoio de almofadas, quando drogas ou álcool estão envolvidos ou quando outra criança partilha o leito com o bebé; outros perigos com a mobília e espaços onde o bebé se pode entalar. Afirma, however, there is no one-to one relashionship between cosleeping or cosleeping in the form of bedsharing and infant mortality.

Um outro autor, Sankaran, referido por McKenna apresenta dados de uma região do Canadá  onde a amamentação e a partilha da cama co-existem e a morte por SMSL é reduzida. Em Hong Kong onde a partilha de cama é rotina, os registos de SMSL são muito reduzidos.

Outros estudos interessantes alertam para o papel da proximidade da mãe para a regulação fisiológica do bebé e para o desenvolvimento equilibrado. Ashley Montagu refere-se à existência de uma gestação externa - exterogestation, para além da gestação intra-uterina e que prolongaria por mais 266 dias, o mesmo tempo da gestação intra-uterina. Para esta autora esta gestação extra-uterina deve-se à condição de grande dependência do bebé humano de um cuidador para sobreviver. O bebé continua a necessitar da proteção da mãe, da alimentação da mãe e do calor da mãe. No útero materno a mãe regula todas as funções vitais do feto e condiciona as suas experiências sensoriais. O nascimento representa uma série de processos e alterações altamente complexas que permitem ao recém-nascido passar da gestação intra-uterina para a vida extra-uterina. A função protetora, reguladora e facilitadora da adaptação à vida extra-uterina só é possível numa estreita relação com o corpo da mãe, num processo de manutenção da exterogestation como o mais natural e o mais benéfico para todos os intervenientes.

Montagu diz-nos que the utero-gestate fetus, embraced, supported and rocked within the amniotic environment, as an extero-gestate requires the continued support of his mother, to be held and rocked in her arms, and in close contact with her body, swallowing colostrom and milk in place of amniotic fluid.

Tanto o bebé como a mãe podem beneficiar da partilha do leito. Para o bebé permite que mantenha proximidade com a mãe, se alimente a pedido, se sinta seguro, mais tranquilo, e que durma mais e com melhor qualidade, com efeitos benéficos no seu desenvolvimento. A proximidade mantém o sistema sensorial do bebé em alerta para estímulos que já conhece, o cheiro da mãe, a voz da mãe, o seu respirar e o bater do coração. Estes estímulos tranquilizam o bebé por serem o continuar daquilo que ele teve dentro do útero materno. O bebé torna-se pró-activo, interage com a mãe, a única realidade que conhece, aprende, desenvolve-se, porque se sente seguro. O nascimento não é um começo mas o continuar de experiências.

Alguns estudos sobre o sono em bebés que partilham o leito e outros que não partilham, demonstraram a diminuição de episódios e apneia obstrutiva durante o sono (McKenna). Para a mãe permite que ela durma melhor enquanto amamenta a pedido, e que o suprimento do leite se mantenha adequado. Para além disso permite que os pais conheçam melhor o seu filho e respondam de forma mais eficaz às suas necessidades e estejam com ele mais tempo, sobretudo aqueles que trabalham. Nos primeiros meses de vida o bebé pode dormir no quarto dos pais. Os pais podem facilmente vigiá-lo e a mãe amamentar.

A partilha do leito é controversa mas sobretudo é uma opção dos pais. Não esquecer contudo que, colocar o bebé para dormir deitado de costas reduz o risco de morte súbita. Dormir de lado não é tão seguro como de costas. Bebés saudáveis colocados a dormir de costas não têm maior probabilidade de sufocar.

Quando o bebé é suficientemente grande para mudar de posição isso não deve ser contrariado.

Se você ou o seu parceiro são fumadores (não é importante o quanto, quando ou onde fumam), se beberam álcool recentemente, tomaram medicamentos ou drogas que o levam a dormir mais rapidamente ou se estão muito cansados, não partilhe a cama com o seu bebé.

Deixe de fumar durante a gravidez, bem como o seu parceiro. Fumar durante a gravidez aumenta o risco de morte súbita.

Não permita que fumem no mesmo compartimento onde está o bebé. Bebés expostos ao fumo do tabaco após o nascimento apresentam um risco mais elevado de morte súbita.

Ninguém deve fumar em casa, incluindo visitas. Qualquer pessoa que necessite de o fazer deverá sair de casa. Não leve o seu bebé a locais com fumo.

Não deixe que o bebé aqueça demasiado.

O sobreaquecimento pode aumentar o risco de morte súbita. Os bebés podem ficar muito quentes devido a estarem demasiado tapados, vestidos ou num local muito quente.

Se o bebé está a suar ou a barriga parece demasiado quente ao toque, retire alguma roupa da cama. Não se preocupe de as mãos do bebé, que usualmente estão destapadas, ficam frias, é normal.

O bebé não necessita de quartos quentes; o aquecimento durante toda a noite raramente é necessário. Mantenha o quarto a uma temperatura confortável para si durante a noite. Cerca de 18 a 21°C é confortável.

Se a temperatura ambiente é quente, o bebé pode não precisar de se tapar, um lençol pode ser suficiente.

Mesmo no inverno muitos bebés que não estão bem ou febris não necessitam de mais roupa.

Os bebés nunca devem dormir com saco de água quente na cama ou cobertor elétrico, ninho ou radiador, lareira ou luz solar direta.

Os bebés perdem o excesso de calor pela cabeça. Assegure-se que a cabeça não fica tapada pelas roupas da cama.

Retire gorros, chapéus ou agasalhos sempre que entrar num espaço quente, num carro com aquecimento ou comboio, mesmo que isso signifique acordar o bebé.

Para prevenir que o bebé deslize para debaixo da roupa da cama coloque o bebé com os pés no fundo da cama ou berço. Faça a cama e tape o bebé de maneira a que as roupas não cubram mais do que até aos ombros. As roupas devem estar bem presas no fundo da cama para que não se soltem e cubram a cabeça do bebé. Coloque o bebé a dormir sobre um colchão firme, justo as medidas da cama ou berço e limpo. O colchão deve ser impermeável e coberto apenas com um lençol.

Lembre-se nunca use rolos, ninhos, almofadas ou bonecos no berço.

Atenção médica urgente.

Se o bebé não está bem procure ajuda imediata se:

  • o bebé deixa de respirar ou fica azul;
  • não reage à estimulação ou responde de forma pouco comum;
  • apresenta um olhar parado, distante ou vidrado, não foca;
  • não acorda;

Mesmo que o bebé acabe por recuperar ligue 112 e descreva o que aconteceu aguardando as indicações dos técnicos.

Lembre-se que a morte súbita é rara;

Não se preocupe em demasia com isso, cumpra estas indicações e aprecie os primeiros meses de vida como pais.

www.naturalchild.org (artigos de James Mckenna)

• Montagu, Ashley- Touching: the human significance of the skin. 3ªedição. Harper and Row, New York, 1986
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