Cuidados neonatais mais amigos do bebé

Cuidados neonatais humanizados, de apoio ao desenvolvimento do bebé e com envolvimento da família, são cuidados  mais amigos do bebé.

A Neonatologia foi uma das áreas da medicina que mais se desenvolveu nos últimos 20 a 30 anos. O investimento em incubadoras mais eficientes, ventiladores mais sensíveis e noutros equipamentos e o aumento da investigação e do conhecimento clínico, contribuiu para a sobrevivência de bebé que nascem cada vez mais cedo e cada vez mais pequenos empurrando o limiar da sobrevivência para as 23 semanas de idade gestacional. Nos meados dos anos 80 a preocupação com a sobrevivência e com a qualidade de vida destes bebés veio questionar os efeitos observados no seu desenvolvimento e que pareciam relacionados com a imaturidade dos sistemas corporais e com as condições ambientais das unidades de cuidados intensivos neonatais (UCIN) criando a ideia de que era necessário prestar cuidados mais amigos do bebé. Alguns investigadores teorizaram que o ambiente das unidades de cuidados intensivos seria sensorialmente depletor e neurologicamente exigente numa fase de grande crescimento neuronal. Constatou-se que as condições limitadas de apoio ao desenvolvimento neurológico, psicológico, emocional e social das UCIN predispunham estas crianças para uma maior incidência de alterações do neurodesenvolvimento, como deficits de atenção e hiperatividade, alterações motoras, alterações do processamento de sons e da linguagem, deficits auditivos e visuais, e alterações do comportamento social, como autismo. Em vez do útero materno e da sua capacidade protetora e reguladora, o bebé prematuro tem que sobreviver num ambiente demasiado e inapropriadamente estimulante, desconfortável e por vezes caótico com poucas oportunidades para experiências positivas e cuja capacidade de proteção do desenvolvimento de um organismo muito sensível e com pouca habilidade de integração saudável de estímulos é muito reduzida. Parecia que o condicionamento ambiental das UCIN era o caminho para contornar algumas destas alterações do neuro desenvolvimento surgindo a necessidade de modular o ambiente às exigências do bebé imaturo. A investigação possibilitou conhecer o ambiente intrauterino, o desenvolvimento normal do feto e também conhecer e estudar as alterações neurocomportamentais que estariam ligadas ao nascimento prematuro e às condições do internamento hospitalar. Os cuidados de suporte ao desenvolvimento surgem nos meados dos anos 80 como um corpo de conhecimentos que permite adequar o ambiente das unidades e as condições de hospitalidade à sensibilidade do bebé prematuro e à permanência de qualidade dos progenitores nas unidades.

O programa NIDCAP foi concebido pela Dra Heidelise Als com o intuito de adequar as UCINs às necessidades individuais do recém-nascido e sua família, onde enfermeiros e outros prestadores de cuidados observam o comportamento dos bebés de forma a servir de base para a individualização dos cuidados e para tornar o ambiente o menos desconfortável e stressante. O bebé é o centro dos cuidados. A observação comportamental permite saber o que o bebé espera, o que consegue processar e o que é adequado para aquela criança em particular num período de tempo muito específico de forma a manter o equilíbrio dos sistemas corporais. Qualquer nova experiência causa algum grau de stress. Quando temos de desenvolver alguma actividade para a qual não estamos preparados automaticamente tentamos estabelecer a melhor estratégia para a ultrapassar. Podemos passar por um período de alguma instabilidade, agitação ou ansiedade com alterações discretas do ritmo cardíaco ou respiratório. Com o vislumbre do processo de resolução da tarefa e com a sua concretização rapidamente recuperamos o equilíbrio. Para bebé sensíveis este equilíbrio pode ser interrompido por actividades e condições ambientais que parecem insignificantes mas para as quais os seus sistemas corporais não estão preparados: luz, ruído, a alimentação, dor e desconforto, entre outras. Este desequilíbrio pode ser tal que a alteração do ritmo cardíaco ou respiratório exige medidas correctivas do ponto de vista clínico. Mesmos os bebés mais imaturos conseguem dizer-nos que aquilo que se está a passar à volta deles está a ser demais para aquilo que eles estão preparados para enfrentar. Alterações do ritmo cardíaco e respiratórios são em regra as primeiras manifestações, e para bebés muito pequenas podem ser as únicas. Estas alterações podem ser reversíveis e inconsequentes se a nossa resposta for pronta e eficaz ao diminuir os índices de ansiedade que o bebé manifesta interrompendo a actividade ou diminuindo os estímulos e oferecendo estímulos positivos que transmitam tranquilidade e segurança. Desta forma os cuidados prestados vêm de encontro às expectativas individuais favorecendo o desenvolvimento. São proporcionadas experiências adequadas às suas capacidades de integração de estímulos e oferecidas condições ambientais protectoras e adequadas ao desenvolvimento sensorial, favorecendo a estabilidade fisiológica e comportamental em todos os momentos da prestação de cuidados.

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1 pensamento em “Cuidados neonatais mais amigos do bebé

  1. Elsa! Ainda bem que hoje em dia começaram apostar neste bebes prematuros e pequeninos. Não sei o que seria de nos sem vossa ajuda… Tenho aqui a Sofia ao meu lado,e sempre pensando no tudo que passamos, tudo que sobrevivemos e só peço a Deus que ajude a todas as enfermeiras que nos salvaram a vida, a vida da Sofia e minha vida porque Sofia é minha vida…. Agradeço muito por tudo que fizeram por nos… Beijinhos

    P.S. uma das primeiras coisas que fizemos quando saímos do hospital era chegamos a casa, abracei a Sofia, e deitamos na cama por baixo das mantas no quentinho as duas :) era o momento mais feliz pra mim, te-la em casa comigo no quentinho sem ter que ir a correr para hospital. O momento unico e inesquesivel. eheheh

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