O toque e a massagem na UCIN: reinventar o toque em bebés prematuros

Contacto pele-a-pele

Todos os pais sabem como tocar nos seus filhos, mas do simples toque à massagem  pode levar algum tempo. Sejam pequeninos ou recém-nascidos robustos, o ambiente da unidade, a situação clínica e a parafernália de tubos e fios podem dificultar a expressão de carinho, atenção, disponibilidade e amor. Para muitos pais são obstáculos perfeitamente supérfluos quando o que importa é oferecer amor, sentir e dar a entender ao bebé que estão presentes e que os amam acima de qualquer coisa. Para outros há que reinventar o tocar num enquadramento que nunca esperavam encontrar entre si e o seu bebé.

O tato é o primeiro sistema sensorial a estar maduro durante a gestação constituindo a primeira ponte entre o embrião e o meio envolvente. Quando um bebé nasce, e para os prematuros também, é através dele que recebem as primeiras informações do mundo extra-uterino.  A pele funciona como um interface importante com o mundo exterior recolhendo sensações positivas e negativas. Mesmo a dormir o cérebro recebe informações permanentes através da pele como sensações de frio, quente, dor, conforto, desconforto, amor e afeto, bem como a separação e a solidão. Podemos relaxar ou sentir a presença de quem nos toca.

Para um bebé que nasce prematuro ou doente e que  necessita de intervenção médica existem um sem número de cuidados que envolvem a preocupação primordial com a sua sobrevivência não sendo difícil de perceber que para eles a emergência de manter as funções vitais pode apenas significar que o seu primeiro contacto com outro ser humano fora do útero materno pode ser muito doloroso e até violento. De início todas as atividades centram-se em cuidados de manutenção das funções vitais como a inserção de tubos e catéteres, a colheita de sangue, ou a administração de medicamentos. Este tipo de manipulação tende a ser mais frequente quanto mais pequeno, frágil e instável é o bebé. Por ventura seriam estes os que mais beneficiariam de momentos de tranquilidade! Gradualmente estes bebés cujas experiências positivas de calma e afeto são pouco frequentes começam a reagir de forma menos positiva ao toque e há presença do outro. Experiências repetidamente dolorosos e desconfortáveis aumentam as reações de recusa e afastamento tornando o bebé mais sensível e apreensivo quer às várias experiências táteis,  mesmo a interações social e afetivas de carinho dependentes do toque. Por este fato qualquer experiência menos positivas deve ser antecedida, intercalada e acompanhada por experiências de relaxamento, de toque com afeto e que alivie as tensões negativas dos cuidados mais exigentes. Muitas vezes o bebé está muito doente ou demasiado sensível ao toque e rotinas de massagem podem agravar ainda mais a sua intolerância.

O toque positivo¹, nutritivo² ou afetivo é um tipo de toque com a intenção de entrar em sintonia, de alívio e relaxamento, e de transmissão de afeto e calma. Por este facto reveste-se de uma importância vital, tão vital como as intervenções médicas e a tecnologia de suporte das funções vitais. Existem autores que referem diversos efeitos benéficos  deste tipo de toque afetivo e da associação da voz tranquilizadora dos pais . Estes benefícios centram-se na redução de sinais de stress e de irritabilidade, de rigidez muscular, com impacto no desenvolvimento dos bebés quando integrados nas rotinas hospitalares e oferecidos com regularidade enfatizado a necessidade de rotinas de massagem durante o internamento.

Logo que possível os pais podem exercer aquilo que melhor sabem e querem dar: amor. O toque é uma forma de o transmitir e os profissionais vão ajudar os pais a ultrapassar os medos e os obstáculos físicos como a incubadora ou os tubos e fios. A vinculação é outro dos processos que beneficia do toque precoce. O toque positivo -  Positive Touch® (Cherry Bond, 2008)– torna-se assim uma atividade indispensável na tentativa de compensar o desgaste e o desconforto imprimido pelos cuidados menos sensíveis  ou de apoio à vida Exige respeito pelo bebé ao pedir permissão para tocar, ao associar aos cuidados movimentos delicados, ao responder aos sinais do bebé que comunicam como ele se sente, e ao fornecer sempre um apoio afectivo através do próprio toque e da associação de palavras de conforto. Significa que a cada passo o bebé precisa de sentir que algo de bom lhe vai acontecer; que apesar da dor e do desconforto alguém o vai confortar, acarinhar e aconchegar.

Massagem na UCIN

Existem várias formas de oferecer experiências táteis positivas e apoiar o processo de restabelecimento da doença respeitando a sensibilidade do bebé. O colo, o canguru, o pousar das mãos ou mais tarde as rotinas de massagem são exemplos.

É importante que desde cedo o bebé possa ter experiências positivas táteis.

Em algumas unidades os cuidados são prestados tendo como pano de fundo o Positive Touch®. Através deste programa os pais aprendem a tocar no filho, a conhecê-lo e a responder às suas necessidades e a perceberem que o bebé precisa tanto da sua presença como dos profissionais da unidade. O toque quente e carinhoso ajudará sempre e de certeza o bebé a acalmar e sentir-se melhor.

É possível que nos primeiros dias não seja exequível que o bebé vá ao colo. Contudo o abraçar, acarinhar, confortar e massajar o bebé na incubadora podem ser ponderados.

Prepara e massajar o bebé

Os pais devem estar disponíveis, a unidade calma e o bebé recetivo. Quando os bebés são prematuros ou estão doentes eles podem manifestar uma grande sensibilidade e fragilidade a estímulos como o toque. A sucessão de intervenções clínicas, muitas delas dolorosas, pode agravar ainda mais as manifestações de desconforto e mesmo recusa. Os profissionais podem ajudar os pais a perceber os sinais de desconforto e a guiar os seus esforços na introdução das rotinas do toque positivo e da massagem.

O toque deve ser introduzido gradualmente de forma gentil e respeitando os sinais do bebé. Os pais devem transmitir tranquilidade relaxando por uns momentos em silêncio junto da incubadora: aqueça as mãos e respire fundo várias vezes. Depois pode pousar suavemente as mãos em concha envolvendo e abraçando o corpo do bebé, uma no tronco ou pernas, e a outra na cabeça. Observe a reação do bebé, e sinta-o a relaxar debaixo das suas mãos. Depois as mãos podem alternar outras zonas do corpo deixando sempre espaço para que o bebé relaxe. Durante algum tempo este pousar das mãos pode ser o único toque que o bebé permite (isto é que não sinta como desconfortável ou recuse). Tranquilize o bebé associando a voz, acalmando-o, dizendo que estará sempre com ele e que está ali para o ajudar, que em breve tudo passará e irão para casa. Ter em atenção que existem áreas do seu corpo em que o bebé poderá ser mais sensível e rejeitar o toque, sobretudo áreas onde sofreu dor e desconforto: o peito onde são usualmente colados os sensores para monitorização da função cardíaca, os braços ou pernas onde muitas vezes são colhidas amostras de sangue e colocados os soros, ou a cara onde são colados tubos e sondas. Estas áreas podem necessitar de mais tempo, mais atenção e mais gentileza. Nestas áreas só o pousar das mãos pode desencadear reações de afastamento. Respire fundo e diga-lhe que sabe que houve momentos de grande dor mas que ele é forte e juntos vão ultrapassar estes momentos. Relaxe, aqueça as mãos e aproxime-as do seu corpo em forma de concha, ou da área mais sensível, sem tocar e aguarde, transmita apenas o seu calor, paz e amor. Depois pouse gentilmente as mãos e envolva o membro ou a área, sem qualquer outro estímulo (sem falar). Pode balançar suavemente o peito ou tronco ritmadamente de um lado para o outro, em movimentos de pouca amplitude e sinta-o a relaxar. Envolva individualmente uma perna ou um braço nas mãos e oscile para cima e para baixo. São movimentos de relaxamento, suaves com o ritmo do bater do seu coração e ajudam a aliviar tensões, dor ou desconforto em zonas muito manipuladas ou picadas, ou onde foram retirados adesivos. Muitas vezes, durante os procedimentos, é suficiente colocar uma mão em concha envolvendo a sua cabecinha e oferecer um dedo para que o bebé agarre, se sinta mais confortável, apoiado e seguro. Durante a intervenção ou os movimentos de embalar não abandone outras áreas do copo, aconchegue-as junto do corpo do bebé com a ajuda de uma mantinha ou de rolos ou almofadas de posicionamento.

Sempre que quiser retirar as mãos, pare o movimento, relaxe as mãos sobre o corpo do bebé. Primeiro pense que as vai retirar ainda antes de iniciar o gesto, e suavemente retire as mãos de cima do corpo do bebé. Substitua as mãos por uma mantinha para aconchegar a pele nua e para que o bebé se sinta mais confortável.

Ao fim de algum tempo esta rotina diária pode dar lugar a movimentos de massagem mais complexos sobretudo em áreas menos sensíveis como as costas. Existem técnicos nos hospitais, nas UCIN ou na comunidade que podem ajudá-lo a compreender melhor estas técnicas e a ensinar-lhe rotinas de massagem. Procure sempre profissionais devidamente credenciados (por exemplo da Associação Portuguesa de Massagem Infantil – APMI). Os profissionais do serviço podem ajudá-lo com os fios e o equipamento, a posicionar o bebé e a interpretar alguns sinais e comportamentos, bem como os dados apresentados no monitor relativos a algumas funções vitais importantes durante a massagem.

Caminhar na planta do pé – APMI

Método Mãe Canguru e o abraço

O canguru é outra forma de contacto pele a pele, de partilha de amor e carinho. Pondere com os profissionais qual a melhor altura para pegar ao colo ou colocar na posição de canguru e faça-o diariamente. Pesquisas recentes evidenciam efeitos benéficos no desenvolvimento cerebral de bebés que estiveram em canguru todos os dias durante varias horas³.

Quando o bebé não pode vir ao colo o colo na incubadora pode ajudá-lo. Inicie como anteriormente aquecendo também o antebraço que der mais jeito. Introduza o braço dentro da incubadora afastando rolos ou manta. Pouse o braço envolvendo o bebé desde a nuca, pousando a mão em concha, até ao rabinho (aninhado na curva do cotovelo). Com a outra mão ofereça um dedo para que ele possa agarrar, sente-se e relaxe. Deixe-o dormir ou fale com ele, cante.

Ofereça calma, segurança e amor

Esteja presente o máximo de tempo possível sobretudo durante os cuidados mais exigentes, ponderando a sua presença com a equipa de saúde. Existem alguns cuidados em que não vai ser possível estar presente. De qualquer forma ajude o seu filho a relaxar antes, durante (quando possível) e após. Trabalhe em sintonia com os profissionais. Por exemplo quando se muda o sensor de oxigénio, de um pé para o outro, afague o pé de onde o sensor foi descolado envolvendo-o na mão quente e deixe o bebé relaxar. O mesmo em áreas onde o bebé foi picado dizendo que já passou.

Estes momentos permitem ao bebé perceber que alguém lhe oferece um toque diferente, que apesar do desconforto alguém lhe dá tranquilidade e o ajuda a recuperar.

O bebé pode não saber o que lhe diz mas reconhece a sua voz e percebe através do tipo de toque ou da entoação da voz que alguém o protege e vai desejar mais e mais que esteja presente e o presenteie com estas manifestações de disponibilidade e amor incondicionais. Só os pais sabem efectivamente disponibilizar este tipo de experiências de amor e carinho. Esteja presente. Não tenha receio de lhe tocar, mesmo a dormir. Sente-se confortavelmente ao lado da incubadora, relaxe, aqueça as mãos e pouse as mãos sobre o seu corpo. Observe. Aguarde. Enamore-se e deixe-o dormir. Os pais de bebés prematuros têm o privilégio, de ver crescer os filhos fora da barriga da mãe de conhecê-los antes do tempo e de lhe oferecerem amor de forma direta numa fase tão precoce da vida fetal.

¹ Positive Touch, Cherry Bond.

² Nurturing Touch, IAIM.

³ Natalie Charpak

 Contactos:

www.iaim.net

www.apmi.org.pt

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Bebés prematuros: pais prematuros

Promoção da vinculação na UCIN

O nascimento prematuro ocorre, na maioria das vezes, sem aviso prévio e surge como uma ruptura na estabilidade familiar por ser muitas vezes uma incerteza tornando os pais também pais prematuros. A incerteza aumenta quando o bebé tem que ser internado e é muito pequenino, e a necessidade de ajustamento familiar revê-se na realidade de um internamento e da constatação de dias, semanas ou meses numa UCIN. Nestes casos e em casos de parto emergente, os bebés que o necessitam são imediatamente transportados para as Neonatologias ou para as Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais para vigilância ou para apoio às suas funções vitais.

Não é possível prever que tipo de apoio um bebé nascido antes do tempo irá necessitar. Depende de muitos factores, embora os mais pequenos e imaturos quase de certeza que necessitarão de mais atenção e de cuidados mais complexos.

Independentemente disso o internamento é, na maioria das vezes, uma realidade desconhecida para os pais noentanto as UCIN e as suas equipas multidisciplinares estão preparadas para os receber e ajudar já que também eles são prematuros.

Para muitas unidades, e no quadro actual dos cuidados neonatais a presença dos pais é dos aspectos mais importantes dos cuidados globais e humanos. Cuidados Centrados  na família – CCF – é o nome dado às estratégias empreendidas em serviços hospitalares que reconhecem a família como o factor mais constante da vida de uma criança e indispensável para um desenvolvimento harmonioso  Por esta razão os CCF são cuidados construídos em pareceria com os pais envolvendo-os logo que possível nas actividades diárias do bebé como os de higiene, alimentação, conforto e afecto.

O bebé prematuro necessita de leite materno e do corpo da mãe ou do pai.

O bebé necessita da tecnologia para sobreviver, mas só os pais, a mãe, o seu cheiro, a sua voz, o sabor do leite materno, o seu calor e o bater do seu coração permitem ao bebé integrar de forma saudável a nova realidade na UCIN. Estes estímulos trazem segurança, sentido de pertença e o reconhecimento de muitos estímulos que constituir a realidade que viveu no útero materno.

A maioria das unidades no país têm as portas abertas para os pais entrarem sem restrições. O apoio dos médicos, enfermeiros, psicólogos ou assistentes sociais ajudam os pais a incorporar-se na equipa e a oferecer ao seu filhos aquilo que eles esperavam dar alguns meses, semanas ou dias mais tarde.  Com profissionais sensíveis os pais rapidamente podem-se ocupar dessas actividades tão genuinamente paternas de entrega, amor e dedicação. As rotinas hospitalares podem a pouco e pouco integrar  a sua presença, o seu afecto e o seu tempo sem pressa para cuidar com grande atenção das necessidades do bebé prematuro. Alguns hospitais oferecem acomodação para o casal, ou só para a mãe, dentro ou fora das instalações hospitalares, sobretudo para pais que moram longe beneficiando o tempo de partilha com o bebé. A legislação contempla a mãe com refeições gratuitas até 40 dias após o parto. Este período pode ser prolongado ou extensível ao pai caso ambos estejam isentos do  pagamento de taxa moderadora.

O apoio da Psicologia pode ser solicitado. Em muitas unidades é inerente aos cuidados ao prematuro e a vinda da psicóloga uma realidade diária para acompanhamento dos pais.

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Reduzir o risco de morte súbita

Síndrome de Morte Súbita do Latente

O Síndrome de Morte Súbita do Latente – SMSL – é como o próprio nome indica um episódio inesperado de cessação das funções vitais sem causa aparente durante o primeiro ano de vida. São apontados alguns riscos que estiveram associados à morte de latentes para os quais foram emanadas medidas preventivas.

Diminuir o risco de morte súbita

  • Deite o bebé de costas quando vai dormir;
  • Não fume durante a gravidez e não permitir que fumem no compartimento onde está o bebé;
  • Se bebeu álcool, tomou drogas ou fuma não partilhe a cama com o bebé;
  • Não adormeça com o bebé no sofá ou cadeirão;
  • Não deixe que o bebé aqueça de mais. Mantenha a cabeça do bebé a descoberto e coloque-o a dormir no fundo do berço ou cama para que toque com os pés no fundo do berço.

Qual é lugar mais seguro para o seu bebé dormir?

Na história da espécie humana os bebés não se separavam das mães, passavam o dia no seu colo, ou às costas, e dormiam com elas permitindo a alimentação frequente e a sobrevivência da espécie protegendo os bebés de predadores. Biologicamente os bebés humanos necessitam de estar em contacto permanente com as mães ou prestador de cuidados. Necessitam de se alimentar com muita frequência (aproximadamente 8 vezes dia), de serem limpos e protegidos. Esta necessidade obriga a que as mães se mantenham por perto o que é facilitado com a proximidade, sobretudo no período da noite em que a amamentação exclusiva, é facilitada e se o bebé dormir no quarto ou na cama com a mãe. Algumas entidades rejeitam de todo a partilha da cama argumentando o aumento da incidência de morte súbita. Contudo James McKenna, antropólogo e investigador da área do sono e director do Laboratório do Sono Mãe-filho da Universidade de Notre Dame  refere que não há evidencia nenhuma de que a partilha do leito não é segura, ou que não é quase sempre segura, ou que não possa tornar-se segura. Para este autor as evidencias apontam claramente as circunstâncias que tornam a partilha do leito perigoso e que podem aumentar o risco de SMSL – tabagismo na gravidez e após, prematuridade, posição do bebé de barriga para baixo, com o apoio de almofadas, quando drogas ou álcool está envolvido ou quando outra criança partilha o leito com o bebé; perigos com a mobília com espaços onde o bebé se pode entalar. Afirma

However, there is no one-to one relashionship between cosleeping or cosleeping in the form of bedsharing and infant mortality.

Um outro autor, Sankaran, referido por McKenna apresenta dados de uma região do Canadá  onde a amamentação e a partilha da cama co-existem e a morte por SMSL é reduzida. Em Hong Kong onde a partilha de cama é rotina, os registos de SMSL são muito reduzidos.

Outros estudos interessantes alertam para o papel da proximidade da mãe para a regulação fisiológica do bebé e para o desenvolvimento equilibrado. Ashley Montagu refere-se à existência de uma gestação externa - exterogestation, para além da gestação intra-uterina e que prolongaria por mais 266 dias, o mesmo tempo da gestação intra-uterina. Para esta autora esta gestação extra-uterina deve-se à condição de grande dependência do bebé humano de um cuidador para sobreviver. O bebé continua a necessitar da proteção da mãe, da alimentação da mãe e do calor da mãe. No útero materno a mãe regula todas as funções vitais do feto e condiciona as suas experiências sensoriais. O nascimento representa uma série de processos e alterações altamente complexas que permitem ao recém-nascido passar da gestação intra-uterina para a vida extra-uterina. A função protetora, reguladora e facilitadora da adaptação à vida extra-uterina só é possível numa estreita relação com o corpo da mãe, num processo de manutenção da exterogestation como o mais natural e o mais benéfico para todos os intervenientes.

Montagu diz-nos que the utero-gestate fetus, embraced, supported and rocked within the amniotic environment, as an extero-gestate requires the continued support of his mother, to be held and rocked in her arms, and in close contact with her body, swallowing colostrom and milk in place of amniotic fluid.

Tanto o bebé como a mãe podem beneficiar da partilha do leito. Para o bebé permite que mantenha proximidade com a mãe, se alimente a pedido, se sinta seguro, mais tranquilo, e que durma mais e com melhor qualidade, com efeitos benéficos no seu desenvolvimento. A proximidade mantém o sistema sensorial do bebé em alerta par estímulos que já conhece, o cheiro da mãe, a voz da mão o seu respirar e o bater do coração. Estes estímulos tranquilizam o bebé por serem o continuar daquilo que ele teve dentro do útero materno. O bebé torna-se pró-activo, interage com a mãe, a única realidade que conhece, aprende, desenvolve-se, porque se sente seguro. O nascimento não é um começo mas o continuar de experiências.

Alguns estudos sobre o sono em bebés que partilham o leito e outros que não partilham, demonstraram a diminuição de episódios e apneia obstrutiva durante o sono (McKenna). Para a mãe permite que ela durma melhor enquanto amamenta a pedido, e que o suprimento do leite se mantenha adequado. Para além disso permite que os pais conheçam melhor o seu filho e respondam de forma mais eficaz às suas necessidades e estejam com ele mais tempo, sobretudo aqueles que trabalham. Nos primeiros meses de vida o bebé pode dormir no quarto dos pais. Os pais podem facilmente vigiá-lo e a mãe amamentar.

A partilha do leito é controversa mas sobretudo é uma opção dos pais. Não esquecer contudo que,

colocar o bebé para dormir deitado de costas reduz o risco de morte súbita. Dormir de lado não é tão seguro como de costas. Bebés saudáveis colocados a dormir de costas não têm maior probabilidade de sufocar. Quando o bebé é suficientemente grande para mudar de posição isso não deve ser contrariado.

Se você ou o seu parceiro são fumadores (não é importante o quanto, quando ou onde fumam), se beberam álcool recentemente, tomaram medicamentos ou drogas que o levam a dormir mais rapidamente ou se estão muito cansados, não partilhe a cama com o seu bebé.

Deixe de fumar durante a gravidez, bem como o seu parceiro. Fumar durante a gravidez aumenta o risco de morte súbita.

Não permita que fumem no mesmo compartimento onde está o bebé. Bebés expostos ao fumo do tabaco após o nascimento apresentam um risco mais elevado de morte súbita.

Ninguém deve fumar em casa, incluindo visitas. Qualquer pessoa que necessite de o fazer deverá sair de casa. Não leve o seu bebé a locais com fumo.

Não deixe que o bebé aqueça demasiado.

O sobreaquecimento pode aumentar o risco de morte súbita. Os bebés podem ficar muito quentes devido a estarem demasiado tapados, vestidos ou num local muito quente.

Se o bebé está a suar ou a barriga parece demasiado quente ao toque, retire alguma roupa da cama. Não se preocupe de as mãos do bebé, que usualmente estão destapadas, ficam frias, é normal.

O bebé não necessita de quartos quentes; o aquecimento durante toda a noite raramente é necessário. Mantenha o quarto a uma temperatura confortável para si durante a noite. Cerca de 18°C é confortável.

Se a temperatura ambiente é quente, o bebé pode não precisar de se tapar, um lençol pode ser suficiente.

Mesmo no inverno muitos bebés que não estão bem ou febris não necessitam de mais roupa.

Os bebés nunca devem dormir com saco de água quente na cama ou cobertor elétrico, ninho ou radiador, lareira ou luz solar direta.

Os bebés perdem o excesso de calor pela cabeça. Assegure-se que a cabeça não fica tapada pelas roupas da cama.

Retire gorros, chapéus ou agasalhos sempre que entrar num espaço quente, num carro com aquecimento ou comboio, mesmo que isso signifique acordar o bebé.

Não deixe que a cabeça do bebé fique tapada.

Bebés cuja cabeça é coberta com as roupas da cama estão em risco acrescido de morte súbita.

Para prevenir que o bebé deslize para debaixo da roupa da cama coloque o bebé com os pés no fundo da cama ou berço. Faça a cama e tape o bebé de maneira a que as roupas não cubram mais do que até aos ombros. As roupas devem estar bem presas no fundo da cama para que não se soltem e cubram a cabeça do bebé. Coloque o bebé a dormir sobre um colchão firme, justo as medidas da cama ou berço e limpo. O colchão deve ser impermeável e coberto apenas com um lençol.

Lembre-se nunca use rolos, ninhos, almofadas ou bonecos no berço.

Atenção médica urgente.

Se o bebé não está bem procure ajuda imediata se:

  • o bebé deixa de respirar ou fica azul;
  • não reage à estimulação ou responde de forma pouco comum;
  • apresenta um olhar parado, distante ou vidrado, não foca;
  • não acorda;

Mesmo que o bebé acabe por recuperar ligue 112 e descreva o que aconteceu aguardando as indicações dos técnicos.

Lembre-se que a morte súbita é rara;

Não se preocupe em demasia com isso, cumpra estas indicações e aprecie os primeiros meses de vida como pais.

www.naturalchild.org (artigos de James Mckenna)

• Montagu, Ashley- Touching: the human significance of the skin. 3ªedição. Harper and Row, New York, 1986
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Conhecer o bebé. Como saber o que necessita?

Apoio aos pés do bebé prematuro

A permanência do seu bebé na UCIN

Desde o primeiro dia que os pais vão-se acostumando ao ambiente e às rotinas da UCIN. À primeira vista tudo parece confuso, a incerteza é grande e encontrar o seu papel como pais pode parecer difícil.

A pouco e pouco vão aprendendo a cuidar do seu filho, a dar banho, a alimentá-lo, a vesti-lo, a pegar-lhe ao colo e a aprender algumas rotinas médicas como ver a sua temperatura.

Poderá parecer muito complicado mas os profissionais estão preparados para os apoiar e ajudar a cumprir tarefas simples. Ao assegurarem estas tarefas os pais poderão sentir-se úteis e próximos do seu filho.

Independentemente daquilo que os pais possam fazer eles, enquanto pais, podem oferecer sempre, desde o primeiro dia, algo único: o amor, carinho e conforto.

Com tempo podem aprender a:

- Proporcionar cuidados de apoio ao desenvolvimento;

- Limpar e cuidar da pele;

- Mudar a fralda;

- Dar banho;

- Proporcionar colo e Canguru;

- Conhecer os sinais e sintomas de doença;

- Conhecer e identificar os comportamentos e maneiras de reagir próprias do seu filho;

- Conhecer a condição clínica do seu filho e o diagnóstico;

- Conhecer a medicação que está a tomar;

Conhecer o bebé

Quando os pais vêm pela primeira vez à unidade encontram um ambiente surpreendentemente novo e até assustador. O seu medo de tocar, de fazer algo de errado leva a que de início os profissionais se ocupem de grande parte das tarefas. Por vezes os pais podem sentir que não são úteis. Com o apoio dos profissionais eles percebem que podem tocar e até mudar a fralda ou confortar o seu filho.

Existem muitas actividades que só eles sabem e podem fazer. De início observar pode ser a única actividade, mas não menos importante que outras. É uma forma de se envolverem com o que está acontecer. Permite que conheçam e compreendam o seu filho, que absorvam cada pequeno gesto, expressão e maneira de ser desenhando um quadro cheio de traços únicos e pessoais.

Observar

Observar é uma qualidade inerente ao ser humano. É uma forma de contacto e de aprendizagem. É através do órgão da visão que estabelecemos, em regra, o primeiro contacto com alguém e que retiramos as primeiras impressões. Fotos podem ajudar em especial quando o bebé nasce de cesariana ou foi transferido para outro hospital impedindo a mãe de o conhecer. Logo que possível o pai poderá tirar uma fotografia e levar à mãe (existem unidades que tiram essa fotografia a a fazem chegar à mãe).

A linguagem dos bebés: ler o seu comportamento

Aprender a linguagem do seu bebé é fundamental para melhor responder às suas necessidades. É um código muito próprio, individual, diz-nos o que ele gosta e não gosta, quando se sente bem ou mal, ou com energia ou ainda cansado. Observar as expressões, as posições, os movimentos respiratórios o estádio de alerta, os padrões de sucção e de auto-consolo, é importante.

Observar e compreender a linguagem do bebé é uma tarefa primordial para bebés tão sensíveis e muitas vezes tão doentes. Quem melhor que o próprio bebé para nos dizer se se sente bem ou mal?

Não é o que esperavam

Dependendo do grau de prematuridade a sua aparência pode chocar. Parecem muito delicados, demasiado frágeis, emagrecidos, com pouca gordura corporal e muito diferentes de um bebé com o tempo todo. Isto deve-se à sua imaturidade.

O aspeto do bebé

Alguns prematuros têm o corpo coberto por uma camada de pelo muito fino e escuro a que se chama lanugo, este acaba por desaparecer.

Pode vezes nascem com o tamanho de uma mão adulta, geralmente têm uma cor de pele avermelhada e parecem transparentes.

Compreender o bebé

Olha para mim!

Como resposta ao ambiente ou aos cuidados os bebés podem demonstrar, genericamente, dois tipos de comportamentos: comportamentos de aceitação e aproximação, e comportamentos de recusa e afastamento.

O que observar:

Estes são exemplos de comportamentos de recusa ou afastamento que nos podem indicar que o bebé  está desconfortável, ou tem dor, ou ainda o quanto ele é sensível ao ambiente que o rodeia.

Pausas respiratórias Boca mantém-se aberta
Alterações da cor: cinzenta, manchada Tremores
Engasgar-se Esticar dos dedos das mãos
Espirrar Mão aberta à frente da cara
Soluços “Sentado no ar”
Bocejos Mão em guarda
Estremecer Choramingar
Arquear as costas Agitação
Caretas Protestar
Protusão da língua Chorar
Postura rígida Agitação
Protestar Chorar
Esticar para longe do corpo os membros de forma súbita e desastrada Flutuação dos olhos
Movimentos súbitos Desviar o olhar – vago
Movimentos descoordenados Olhar fixo
Olhar vidrado  Estádios de aperta difusos

Seguidamente apresentam-se exemplos de comportamentos de aproximação e de copping que nos indicam o quanto o bebé é competente nos seus esforços se adaptar aos estímulos ambientais, para se aclamar e confortar e que está pronto para interagir e explorar.

Respiração regular Procurar
Cor saudável Sugar
Mãos juntas; mãos dadas Postura suavemente fletida
Movimentos suaves e harmoniosos Cara relaxada e atenta
Pés juntos apoiados um no outro Orientação para a voz ou som
Agarrar Mudanças de estádio de alerta suaves
Movimentos da mão à face Sono descansado
Mãos à boca Sorriso dirigido
Franzir do sobrolho Facilmente consolável
Acalma-se sozinho

Muitos dos comportamentos que vai observar são semelhantes a comportamentos que tomamos. Quando tentamos proteger os olhos  ou a cara perante uma ameaça, ou quando enrolamos o nosso corpo sobre nós mesmos porque nos sentimos tristes ou queremos descansar ou isolar. Quando, por outro lado, estamos de expressão facial “aberta”, iluminada e os olhos brilhantes a olhar para algo ou alguém, é porque estamos interessados e queremos comunicar. Os bebés, mesmo os prematuros, também o  fazem de forma mais ou menos competente e organizada.

Olha, estou a gostar!

Comportamentos de aproximação e de conforto revelam que o bebé está relaxado, confortável ou interessado, são sinais positivos e que nos levam a interagir, acarinhar, falar e estar com o bebé. Agora é a altura indicada para lhe prestar os cuidados! Nestes períodos de alerta eles podem assimilar informação e aprender.

Dormir calma e tranquilamente também é um comportamento positivo . Dormir durante um longo período é importante para o desenvolvimento dos bebés sobretudo dos que nascem prematuramente: O desenvolvimento cerebral, o restabelecimento dos níveis de energia sobretudo num ambiente tão exigente, o crescimento com a libertação da Hormona de Crescimento, a organização das células cerebrais e das memórias futuras dos sons no estabelecimento das fundações da linguagem, e o desenvolvimento das células da retina e do córtex visual, são funções inerentes e dependentes do sono.

O bebé precisa de ajuda!

Outros comportamentos mostram que o bebé está cansado e desconfortável, são sinais de evitamento, como se ele se quisesse afastar de algo. Quando o bebé mostra algum dos sinais de desconforto acima referidos a primeira coisa que devemos observar é o contexto da situação, moderar ou parar o que se está a fazer e esperar. Ele transmite-nos um sinal de que o que se está a passar é demais para ele, para a sua capacidade de integração e para a sua idade gestacional. Os bebé prematuros são altamente sensíveis ao ambiente que os rodeia, sobretudo porque os seus cérebros imaturos não conseguem processar tanta informação.

Alguns bebés podem simplesmente “desligarem-se” de um ambiente demasiado estimulante mostrando apatia, adormecendo ou agitando-se e chorando.

Um bebé cujos sinais comportamentais mostram que necessita de ajuda deve ser ajudado e o prestador de cuidados entender o que poderá ter causado a instabilidade comportamental e fazer todos os esforços para remover o estímulo e restabelecer o equilíbrio.

Como ajudar o bebé?

Adaptar o ambiente e os cuidados diários às necessidades de cada bebé

Cada bebé reage à sua maneira ao ambiente e aos cuidados. A observação e interpretação do seu comportamento permite-nos estabelecer as estratégias mais adequadas a esse bebé, ao seu estado clínico e ao seu estadio de desenvolvimento. Os bebés mais doentes são também os mais vulneráveis, independentemente de serem mais ou menos imaturos.

A permanência de estímulos  desagradáveis pode levar a que o bebé gaste energia desnecessária a tentar evitá-los ou a chamar a atenção dizendo que já chega. Quando a nossa resposta tarda ele pode cansar-se ou ficar instável do ponto de vista clínico com  bradicárdias, apneia ou necessitar de mais oxigénio suplementar. É amplamente reconhecido o efeito do stress na estabilidade fisiológica de bebés vulneráveis. O stress pode surgir por dor, por desconforto, pelo ruído ambiente, pelo excesso de luzes, pela inexistência de períodos longos de repouso ou por estímulos contínuos e frequentes, mesmo daqueles que achamos benéficos (como cuidados à pele, mudanças de frlada, carícias, falar, ou o cantar). As manifestações de stress ou desconforto podem aumentar o ritmo cardíaco, respiratório, as tensões arteriais, e consequentemente os gastos e necessidades de oxigénio e energia. Em bebé já doentes e muito prematuros pode significar a necessidade de mais medidas terapêuticas de apoio.

É sobretudo importante entrar em sintonia com o bebé, perceber se o que lhe fazemos e  proporcionamos o deixa satisfeito, calmo e feliz. Bebés cujas expectativas são defendidas são bebés que se desenvolvem melhor em todas as dimensões da sua existência.

Sem dúvida que o ambiente intra-uterino proporciona as melhores condições para o feto se desenvolver e se preparar para uma série de actividades que o ajudam a sobreviver. Um bebé prematuro é um feto em desenvolvimento. A unidade neonatal é uma realidade no apoio à vida destes bebés que nascem antes do tempo, com tudo o que implica: equipamento ruidoso, pessoas a circular, tratamentos essenciais, cuidados de apoio. Recriar o ambiente intra-uterino é uma utopia, no entanto está ao alcance de todos medidas de controlo ambiental que respondam aos comportamentos individuais de cada bebé. Ouvir e responder é uma tarefa constante em que a leitura comportamental assume um papel importante.

A preocupação com o desenvolvimento dos bebés e a modulação ambiental tem vindo a ser objeto de intervenção em muitas unidades integrando filosofias de cuidados viradas para o bebé e para a sua família. Os Cuidados Individualizados de Apoio ao Desenvolvimento ou o programa NIDCAP – Newborn Individualized Developmental Care and Assessment Program, são exemplos. Estes programas e outros programas similares, procuram minimizar o desconforto causado pelo ambiente como a redução do ruído e da actividade circundante, valorizam o conforto, preocupam-se com a diminuição das experiências de dor, protegem o sono e repouso e defendem o reforço dos laços afectivos com os progenitores respeitando o individualidade de cada bebé, centralizando a interpretação das suas reações e a reflexão das nossas acções como pedras basilares dos cuidados de defendendo  o desenvolvimento saudável.

O bebé necessita de se desenvolver num ambiente calmo, de se sentir amado, de repousar o máximo de tempo possível e de dormir.

Cuidados Individualizados e de Suporte ao Desenvolvimento

Não há receitas universais mas estratégias gerais de adaptação e individualização dos cuidados e do ambiente. Os objectivos gerais dos cuidados individualizados são:

  • Proporcionar conforto e manipulações sensíveis
  • Proteger a estabilidade fisiológica
  • Proteger o desenvolvimento neurológico e sensorial em função das capacidades individuais, da idade gestacional e da situação clínica
  • Proteger o desenvolvimento postural
  • Proteger o sono
  • Proporcionar oportunidades de relação entre os pais e o bebé e o desenvolvimento das capacidades sociais e comunicativas

  • Promover a participação activa dos pais nos cuidados, o colo, o Método Canguru, a partilha de amor

Linhas gerais para ajudar a cuidar melhor do bebé prematuro na Unidade de Cuidados Intensivos

Um dos aspectos mais importantes é conhecer o bebé. Observar é essencial, antes, durante e após as intervenções de forma a permitir a reflexão sobre o impacto do ambiente e dos cuidados no comportamento e os parâmetros fisiológicos do bebé.

Recomendações:

  • Prestar cuidados apenas quando o bebé está acordado (a não ser que sejam urgente). O sono tem um papel importante no crescimento, desenvolvimento cerebral, da retina e no restabelecimento da doença.
  • Abordar o bebé de forma gentil, integrando gradualmente os estímulos. Os prematuros são muito sensíveis ao ambiente que os rodeia, rapidamente ficam cansados. Primeiro pousar as mãos de seguida saudá-lo, depois então iniciar os cuidados se a sua reacção for de aceitação.
  • Falar com ele sempre, integrando-o nas atividades, acalmando-o. Mostre o seu respeito e afecto com palavras doces e toque gentil.
  • Usar movimentos suaves. É preferível rolar suavemente o seu corpo em vez de levantar. O bebé imaturo facilmente se desorganiza demonstrando com agitação motora, taquicárdia e choro. As movimentações espaciais desequilibram o sentido vestivular.
  • Dependendo da idade gestacional o bebé deve ser protegido da luz excessiva para a qual o seu sistema visual ainda não está preparado. Se pensarmos um pouco chegamos à conclusão que em regra os bebés só vêem luz após o nascimento! Assim a luz não é determinante para o ser humano no desenvolvimento do sistema visual.
  • Proteja o bebé do ruído  Fale em tom suave e de conversação e evite tirá-lo da incubadora em alturas de grande azáfama na enfermaria. Estudos indicam que o ruído em excesso aumenta os níveis de stress, a tensão arterial, a frequência cardíaca, respiratória e o consumo de oxigénio. Colabore para que o ambiente seja o mais calmo e silencioso possível. A sua voz é o melhor para acalmar e estimular o bebé. Não se esqueça que os outros bebés também necessitam de ouvir a voz das suas mães! Cante, conte uma história ou partilhe o seu dia-a-dia com o seu filho.
  • Execute os cuidados observando as reacções a cada gesto, a cada estímulo e pondere, reflita sobre o que ele está a tentar dizer-lhe, sentir, ou a atingir. Caso surjam sinais de cansaço, recusa ou instabilidade cardio-respiratória deve abrandar ou parar o que está a fazer. Pousar as mãos, uma sobre o seu corpo ou envolvendo as costas e a outra em concha à volta da cabeça, e aguarde. Conforte, acalme.

Como confortar um bebé prematuro

  • Use os materiais à disposição para ajudar o bebé durante os cuidados. Deite-o de lado, com as mãos junto da cara e da boca e os pés juntinho, sola com sola com as pernas dobradas sobre a barriga e sinta-o relaxar enquanto contém suavemente os pés. Simule a sua postura intra-uterina! é o melhor para o desenvolvimento dos seus músculos e articulações bem como para a aquisição de competências específicas de orientação à linha média – levar as mãos e os pés à boca e juntos ao centro do corpo. Se possível, quando os lençóis são mudados, coloque sempre uma mantinha suave ao toque estendida em diagonal debaixo do bebé para que, quando necessite, ou ao terminar os cuidados, o possa envolver em envelope ajudando a ficar confortavelmente enroladinho. Dentro do útero materno o bebé estaria enroladinho sobre si com barreiras a toda a sua volta – posição fetal. A posição de lado facilita os esforços que ele possa fazer para manter as pernas e os braços juntinhos do corpo, sente-se mais confortável e seguro e perde menos temperatura e energia a tentar enrolar-se e levar as mãos à boca. Esta posição também facilita a aquisição de competências futuras importantes na infância, como levar ao pés e as mãos à boca para explorar. Nesta fase inicial da sua vida permite que se consiga consolar ao chuchar nos dedos ou na mão. Ao mantermos os pés juntos e as pernas sobre o abdómen de forma relaxada, a sua barriguinha também irá relaxar e aliviar tensões acumuladas.
  • Dispa-o gradualmente, voltando a tapar quando possível cada segmento corporal, contendo suavemente. Use rolos para apoiar as costas e a cabeça na posição de lado, se necessário.
  • Ao terminar aconchegue-o com a mantinha, o ninho ou os rolos, de lado se possível, com as mãos junto da face e os pés e pernas junto do abdómen. Sempre que possível vista-o e tape-o. O bebé irá sentir-se mais confortável. Uma manta a apoiar os pés permite que o bebé se mantenha na posição flectida e evita gastos de energia ao afastar repetidamente os pés do corpo à procura de barreiras. No útero materno a ginástica que faz ao empurrar as paredes do útero são importantes para o desenvolvimento da força muscular.
  • Logo e sempre que possível dê-lhe colo ou faça canguru o máximo de tempo possível e várias vezes ao dia. Caso não seja possível conforte-o na incubadora colocando um dos seus braço lá dentro envolvendo todas as costas até à nuca, e dando-lhe um dedo para que agarre. Nesta fase tão precoce o corpo da mãe e o seu leite são primordiais paro o seu futuro.
  • Esteja presente durante as alimentações. A alimentação é, para todos nós e para os bebés que vão para casa, uma oportunidade de interacção social. É mais um momento de partilha que o bebé internado deve viver. Se possível o seu leite deve ser oferecido no colo, caso não seja possível mantenha o contacto físico com o pousar das mãos enquanto ele está dentro da incubadora.
  • Assegure-se que após os cuidados o bebé adormece tranquilamente. Mantenha o contacto físico com o pousar das mãos ou envolvendo o seu corpo, e quando estiver a dormir relaxe gradualmente o peso das suas mãos e por fim retire-as suavemente.

Estabelecer uma ligação afectiva

A separação do bebé pode dificultar a criação de laços logo após o nascimento. Isto é perfeitamente normal e acontece a muitos pais.

É importante manter uma presença frequente e notada pelo bebé. Envolva-se nas seguintes actividade

- Pousar das mãos e toque de conforto: com o bebé na incubadora

- Confortar durante e após os momentos mais difíceis. Pondere se é possível levar a cabo esses procedimentos no colo.

- Método Canguru: contacto pele a pele entre o bebé e os pais

- Mudança das fraldas

- Alimentação: amamentação, alimentação por o tubo gástrico ou biberão

- Banho e cuidados à pele.

Se tem gémeos informe-se sobre a política de partilha do leito da unidade.

A cue is a word in a sentence - Cherry Bond

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Olha para mim!

Interpretação da linguagem corporal

Como saber o que sente o seu bebé?

O seu bebé é bem capaz de lhe dar a entender o que pensa do mundo à sua volta. A forma de ele comunicar não é, de início, por palavras, mas sim pelo seu choro e através da sua linguagem corporal. Outros sinais como o ritmo da sua respiração ou do coração podem indicar se ele está desconfortável ou ansioso.

Nesta secção poderá encontrar pistas que o ajudam a entender melhor alguns sinais e comportamentos que o bebé pode apresentar.

Bebé prematuro atento

Observar a respiraçãoA respiração normal de um bebé deve situar-se entre os 30 e 40 respirações por minuto, ser regular e tranquila. No início o bebé internado pode respirar através de um ventilador. Às vezes o seu peito treme discretamente impulsionado pelo ar que é vibrado pelo ventilador. Por cima deste movimento ritmado e artificial o bebé apresenta movimentos torácicos inspiratórios e expiratórios. À medida que ele vai ficando mais forte irá respirar de forma independente e adquirir um padrão mais regular e eficaz. Por vezes podem surgir alterações na profundidade das inspirações e no ritmo e revelar intranquilidade, cansaço ou ainda que está acordado. Quando a respiração é mais acelerada – taquipneia – o bebé pode estar a tentar compensar alterações fisiológicas dos níveis de gases sanguíneos, ou então pode surgir como resposta ao stress ou ao desconforto. Quando lenta – bradipneia – ou inexistente – apneia – o bebé pode estar cansado ou necessitar de ajustes nos parâmetros do ventilador. A apneia da prematuridade é uma condição fisiológica comum em prematuros com menos de 32 semanas de idade gestacional, em que o bebé faz pausas prolongadas (mais de 20 segundos). Deve-se à imaturidade do sistema nervoso central, sobretudo do centro respiratório.

Alterações do tom da pele. Os recém-nascidos tendem a ter uma coloração mais avermelhada. Por vezes surgem áreas de pele mais pálida como à volta do nariz ou orelhas, ou um tom azulado à volta dos olhos ou boca, ou ainda padrões de manchas na pele brancas/avermelhadas/acinzentadas como mármore – pele marmoreada; quando estão rosadinhos significa que estão bem, calmos, tranquilos e a respirar bem. À medida que conhecemos melhor o bebé podemos verificar que algumas alterações podem indicar que necessita de fazer uma pausa nos cuidados, de conforto ou mudar de posição. A maior parte das vezes consegue-se saber isso antes que o monitor nos indique o mesmo.

Os prematuros apresentam com frequência tremores e movimentos descoordenados e desajeitados, soluços, bocejos ou espirros, bolçam ou esticam-se. Estes padrões de movimentos são normais nos prematuros, mas tendem a ser mais repetidos quando estão cansados ou desconfortáveis. Alguns estão também associados a imaturidade do SNC e a diminuição da força muscular e da capacidade de controlo de movimentos. A repetição deste padrão de comportamentos, nomeadamente os movimentos do corpo, por um período longo ou durante vários episódios diários pode levar o bebé a cansar-se, a perder energia, necessária para crescer, regular os ritmos fisiológicos ou aumentar de peso.

Actividade. O feto apresenta muitos movimentos importantes para o desenvolvimento, estica as pernas e os braços de encontro às paredes uterinas, leva as mãos à face e pode chuchar nos dedos. Alguns destes movimentos parecem acalmar o bebé prematuro.

Fora do útero materno os prematuros têm dificuldade em coordenar os movimentos e tendem a perder energia rapidamente quando em períodos de grande actividade. A posição e os movimentos podem indicar-nos se o bebé precisa de um maior suporte ou se está tranquilo e confortável. É importante estar atento a posições que revelam tensão como arqueamento das costas, os braços e pernas esticados para longe do corpo, ou se, pelo contrário, está deitado no leito sem energia. Estas posições podem sugerir que o bebé está desconfortável, com dor, ou que quer mudar de posição.

O bebé pode também aninhar-se confortavelmente com os braços e pernas dobrados junto do corpo, os pés pousados um no outro ou sobre uma das pernas, e com as mãos junto, sobre ou ao lado da face, ou de mãos dadas. Estes padrões de reorganização de movimentos e de auto-consolo podem não ser muito evidente mas é uma capacidade que irá ser cada vez mais capaz de fazer quando estiver mais forte e coordenado e revela maturidade. Movimentos suaves, graciosos e dirigidos também farão parte do seu reportório enquanto se vão sobrepondo a movimentos descoordenados, com tremores ou desajeitados, manifestando uma maior capacidade em se acalmar, reorganizar e controlar.

Os bebés também usam gestos de autoproteção que são instintivos em todos nós. O proteger os olhos quando uma luz intensa incide sobre a face, ou quando o ruído ambiente é desagradável e persistente, ou quando simplesmente querem se distanciar do que se passa à sua volta. Tendem a enrolar-se sobre si mesmos, a levar as mãos à frente dos olhos ou à face protegendo os ouvidos e os olhos. Também são tidos como sinais de evitamento o fincar os pés com força contra algo, levantar os braços no ar e abrir as mãos numa atitude de recusa.

Gestos de autoconsolo como levar as mãos à boca e sugar, segurar-se a algo, juntar as mãos ou pousar um pé no outro para adquirir conforto ou para se preparar par prestar atenção são respostas positivas ao que está a acontecer.

As expressões faciais do bebé também podem-nos dizer muito do que ele sente. Se as bochechas estão descaídas, com a boca aberta e o queixo descaído, isto poderá significar que está cansado. As caretas e o choramingar revelam desconforto. A expressão descontraída, parecendo que o rosto se ilumina ou parecendo atento, indica que ele está a gostar da companhia. Se franzir a testa e arquear as sobrancelhas, ele está definitivamente interessado na sua voz e quer comunicar.

O sono e alerta. É importante saber reconhecer o estádio de alerta para que sejam respeitados sobretudo os seus momentos de repouso, ou a sua necessidade de repousar quando começa a ficar irrequieto, irritado ou então mostrar sinais de cansaço e distanciamento.

Sono. O feto dorme a maior parte do tempo enquanto está dentro do útero materno, pelo que é importante deixar o prematuro dormir o máximo possível. Enquanto ele dorme poderão observar-se movimentos oculares debaixo das pálpebras fechadas, estamos perante o sono leve ou REM- rapid eye movements. Os adultos sonham neste tipo de sono. Para os bebés este é a altura em que o cérebro cresce e se desenvolve e a retina matura.  Pelo contrário quando o bebé está a dormir e não se vêm movimentos oculares, estamos perante o sono profundo ou NREM – non rapid eye movements. O sono profundo é importante para o crescimento do bebé e o restabelecimento da doença. A interrupção do sono deve ser, de todo evitada e apenas possível em situações de manifesta emergência.

Bebé prematuro a dormir

Alerta. Quando está acordado, o bebé pode estar tranquilo, inicialmente o seu olhar pode ser vago, mas à medida que ele cresce e matura vai apresentando um olhar mais vivo e dirigido, como se quisesse conversar. Aproveite estas ocasiões para estar com ele, falar, cantar ou prestar os cuidados. Ele está a aprender! Descubra como é que ele responde aos estímulos. Alguns bebés fecham os olhos e voltam a dormir, porque se sentem cansados. Outros respondem com soluços, bocejos ou espirros. Gradualmente os prematuros irão passar mais tempo em alerta tranquilo. Também as manifestações de desconforto ou cansaço tornam-se mais robustas, com choro intenso ou agitação motora. Mais tarde poderá distinguir tipos de choro diferentes que significam coisas diferentes.

Bebé organizado, calmo e que parece querer dormir

Todos estes sinais são a word in a sentence¹, isto é uma palavra numa frase. A interpretação da mensagem requer um conhecimento muito profundo dos seus comportamentos através da observação cuidada  e o enquadramento ambiental, o que se passa à volta dele e que poderá ter precipitado tal manifestação.

Este processo de permanente ouvir, interpretar e responder é essencial para que o seu filho se sinta bem na UCIN. Exige um respeito pelo que ele é e sente.

¹Cherry Bond

 

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Do aleitamento à amamentação na UCIN – II

Do aleitamento à amamentação na UCIN – II

Extração de leite com bebé em Canguru

Extração de leite com bebé em Canguru

Enquanto esteve grávida imaginou muitas vezes como seria a sua vida com o seu bebé e como iria cuidar dele. O facto de ele ter sido admitido numa UCIN pode ter alterado os seus planos, contudo ainda pode fazer muitas das coisas que planeou. Se planeou amamenta-lo isso é possível mesmo se ele nasceu muito antes do tempo. O amor e a proteção que dá ao seu bebé desde o início são vitais para o seu bem-estar. Amamentar é uma forma de o demonstrar. Os benefícios da amamentação para si e para o bebé estão bem documentados e são muito mais valiosos quando o bebé é prematuro, está doente e requer o internamento numa UCIN.

               -Protege o bebé de infeções;

               – Ajuda-o a crescer

               – É de mais fácil digestão

               – Promove a vinculação e o contacto pele-a-pele

Amamentar o seu bebé que nasceu prematuro depende de alguns fatores entre os quais a condição clínica do bebé e a idade gestacional.

A incapacidade de o bebé conseguir extrair o alimento necessário para sobreviver e crescer pode estar relacionado com a prematuridade já que ele nasceu antes estar preparado para o fazer. Por um lado ele pode não ter força suficiente para sugar e por outro não conseguir coordenar a respiração enquanto suga e engole o leite. Estas habilidades estão condicionadas pela maturidade cerebral e dependem da idade gestacional. Nalguns casos pode levar algumas semanas a conseguir mamar em segurança e extrair o leite suficiente para crescer. Por outro o seu estado clínico pode não o permitir quando os tratamentos exigem que o bebé não coma ou ainda a presença de vários tubos ou sondas colocados na boca essenciais à sua sobrevivência.

Assim que possível o bebé poderá ser colocado á mama ou poderá ser-lhe oferecido o seu leite através de uma sonda gástrica. A concretização desta nova etapa depende também das políticas do hospital para o início da alimentação oral a bebés prematuros. Em teoria qualquer bebé estável clinicamente e sem ventilação invasiva poderá ser colocado à mama sem o intuito de retirar alimento – a chamada sucção não nutritiva. Quando ele é muito pequenino e incapaz de coordenar ou até apresentar habilidade nutritivas este ato servirá apenas para manter o contacto pele-a-pele com a mãe, para sentir o cheiro e mesmo o sabor de algumas gotas de leite que possam escorrer ou ser colocadas em contacto com os seus lábios e associar a sucção não nutritiva ao estômago cheio quando a alimentação pela sonda gástrica é oferecida ao mesmo tempo. Este ato de proximidade também ajuda a mãe a produzir mais leite através da libertação de hormonas responsáveis pelo processo.

Colocar o bebé à mama pela primeira vez

Muitos hospitais têm pessoal especializado que a ajudarão a decidir o momento certo e como o colocar à mama. É um momento único e que poderá ser surpreendente. Ás vezes bebés muito pequenos podem de imediato querer sugar, procurando abocanhar a mama com grande vitalidade! Em geral poderá ser difícil numa primeira vez o bebé mamar bem. O bebé pode ter pouca energia para o fazer, ou o mamilo ser demasiado grande para a sua boca. Contudo lembre-se que mesmo com estas dificuldades é benéfico para ele e para si e que com tempo e persistência ele irá desenvolver a sua capacidade de sugar e retirar o alimento necessário ao seu crescimento.

A introdução precoce da amamentação pode ser benéfica ao desenvolver capacidades e competência individuais que com o tempo, e se não forem estimuladas podem desaparecer. Alguns bebés exibem de imediato o chamado reflexo de busca quando ao se tocar com o mamilo a zona á volta da boca e dos seus lábios ele abre a boca e procura o mamilo. Fazer sair uma gotinha de leite poderá levá-lo a lamber e a saborear o seu leite e a abrir a boca para abocanhar o mamilo. Pode ser benéfico que o leite seja dado pela sonda quando o bebé treina a sucção na mama para que vá associando o enchimento do estômago e a sensação de saciedade com o mamar na mama.

A existência de sondas ou tubos na boca pode dificultar a amamentação. Fale com os profissionais da possibilidade de os retirar ou colocar no nariz. Muitas das intervenções terapêuticas envolvem a estimulação menos positiva e agradável da boca e nariz, estas intervenções quando não acompanhadas de outras que trazem experiências positivas podem gerar comportamentos alimentares de aversão e recusa. Alguns cuidados podem beneficiar a amamentação e devem ser instituídos desde os primeiros dias, mesmo quando não é possível colocar o bebé à mama ou ao colo:

               – dar a aprovar frequentemente o leite materno ao bebé com um cotonete embebido (se não houver contraindicações);

               – colocar uma mantinha pequena ou fralda junto do bebé após a mãe ter passado algum tempo com ela junto do peito para que o bebé sinta o cheiro do seu corpo e eventualmente do leite;

               – os profissionais devem evitar agressões desnecessárias à volta e na boca e nariz;

               – o uso de chupeta com tamanho adequado para treino de sucção – sucção não nutritiva;

               – a intervenção de um terapeuta da fala consoante protocolo hospitalar.

Com o crescimento do bebé ele tornar-se-á mais forte e competente assegurando a ingestão adequada de leite. O bebé necessita de manter a estabilidade fisiológica, a calma e tranquilidade para respirar, sugar e engolir e digerir o leite. Alguns sinais podem indicar que ele não está preparado.

Observe o seu comportamento: ele diz-lhe se está preparado para mamar!

Será benéfico não colocar o bebé à mama após uma atividade exigente. Será também importante que o ambiente esteja calmo e que o proteja de fontes de luz muito intensas para que o bebé e a mãe se possam concentrar e usufruir do momento. Caso o bebé não esteja já cansado rapidamente ficará e poderá engasgar-se. O bebé deve estar acordado e calmo.

Observe o comportamento, a cor e os parâmetros vitais no monitor, estes poderão ajudar a adaptá-lo à mamam ou a suspender a amamentação. Um bebé capaz de integrar esta nova atividade é quele que permanece rosadinho sem alteração significativa do ritmo cardíaco e sem se cansar respirando pausadamente. Outros sinais como a mudança da cor da pele ou a perda de energia em que o bebé fica molinho com os braços caídos indicam que ele está cansado ou que não é a altura para o colocar à mama. Neste caso deixe-o ficar junto da mama ou em posição de Canguru.

Não se esqueça que nas primeiras vezes apenas se pretende que o bebé sinta o cheiro e o sabor do leite e a proximidade do seu corpo. A sensação de fome está muitas vezes ausente ou diminuída já que o bebé é alimentado com frequência pelo sonda gástrica, levando-o a não mostrar muito interesse. Bebés muito pequenos podem gostar e conseguir engolir pequenas gotas de leite extraídas manualmente. Nas primeiras tentativas e por questões de segurança, é aconselhado que extraia previamente leite para que o bebé não se engasgue.

Como coloca-lo à mama?

Nas unidades de neonatologia já existem profissionais que o ajudam a adaptar à mama – Conselheiros e promotores da amamentação.

Em regra o bebé de termo é colocado de frente para a mama sem qualquer apoio dos braços ou pernas, já que ele por si só se aconchega ao seu corpo mantendo uma posição fletida. O bebé prematuro tem que ser ajudado a manter essa posição. Ele é mais molinho e tende a deixar cair os braços e as pernas. Esta flacidez não se reflete apenas nos membros mas também nos músculos do pescoço e dos maxilares importantes para se alimentar e respirar. Leve o bebé à mama e não o contrário. Poderá ser necessário o apoio de uma almofada para apoiar os seus braços e o bebé. Coloque o bebé direito (cabeça e corpo alinhados) virado para si e apoie os braços colocando o que fica por cima junto da sua mama com a mão do bebé pousada sobre a mama. Aconchegue as perninhas dele com uma manta junto do seu corpo e mantenha-o levemente contido nessa posição enquanto o ajuda a sentir o mamilo e o sabor do seu leite. Esta posição mais fletida irá fortalecer os músculos do pescoço e ajudar o bebé a ter mais força para sugar, engolir e respirar.

Quantas vezes colocar o bebé à mama?

As vezes que for possível clinicamente e as vezes que o bebé o desejar. O bebé deverá estar estável, acordado e calmo.

Continue a extrair leite para lhe ser dada por sonda a quantidade que ele necessita e que não consegue mamar por ele. Quando o bebé já tem indicação para se alimentar à mama e o consegue fazer sem se engasgar, extraia o leite mecanicamente após o bebé mamar de forma a manter a produção de leite. Se a mama estiver muito cheia pode ser benéfico extrair um pouco manualmente para tornar a mama mais mole facilitando a pega.

Com tempo a quantidade administrada pela sonda vai sendo diminuída e substituída pelo leite que o bebé extrai da mama.

Amamentar um bebé que nasceu prematuro é um grande desafio mas os benefícios para o seu futuro são muito grandes e com certeza que no final valerá a pena levar o seu filho para casa com amamentação exclusiva.

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Cuidados neonatais mais amigos do bebé

A Neonatologia foi uma das áreas da medicina que mais se desenvolveu nos últimos 20 a 30 anos. O investimento em incubadoras mais eficientes, ventiladores mais sensíveis e noutros equipamentos e o aumento da investigação e do conhecimento clínico, contribuiu para a sobrevivência de bebé que nascem cada vez mais cedo e cada vez mais pequenos empurrando o limiar da sobrevivência para as 23 semanas de idade gestacional. Nos meados dos anos 80 a preocupação com a sobrevivência e com a qualidade de vida destes bebés veio questionar os efeitos observados no seu desenvolvimento e que pareciam relacionados com a imaturidade dos sistemas corporais e com as condições ambientais das unidades de cuidados intensivos neonatais (UCIN). Alguns investigadores teorizaram que o ambiente das unidades de cuidados intensivos seria sensorialmente depletor e neurologicamente exigente numa fase de grande crescimento neuronal. Constatou-se que as condições limitadas de apoio ao desenvolvimento neurológico, psicológico, emocional e social das UCIN predispunham estas crianças para uma maior incidência de alterações do neurodesenvolvimento como deficits de atenção e hiperatividade, alterações motoras, alterações do processamento de sons e da linguagem e deficits auditivos e visuais e alterações do comportamento social como autismo. Em vez do útero materno e da sua capacidade protetora e reguladora, o bebé prematuro tem que sobreviver num ambiente demasiado e inapropriadamente estimulante, desconfortável e por vezes caótico com poucas oportunidades para experiências positivas e cuja capacidade de proteção do desenvolvimento de um organismo muito sensível e com pouca habilidade de integração saudável de estímulos é muito reduzida. Parecia que o condicionamento ambiental das UCIN era o caminho para contornar algumas destas alterações do neuro desenvolvimento surgindo a necessidade de modular o ambiente às exigências do bebé imaturo. A investigação possibilitou conhecer o ambiente intrauterino, o desenvolvimento normal do feto e também conhecer e estudar as alterações neurocomportamentais que estariam ligadas ao nascimento prematuro e às condições do internamento hospitalar. Os cuidados de suporte ao desenvolvimento surgem nos meados dos anos 80 como um corpo de conhecimentos que permite adequar o ambiente das unidades e as condições de hospitalidade à sensibilidade do bebé prematuro e à permanência de qualidade dos progenitores nas unidades.

O programa NIDCAP foi concebido pela Dra Heidelise Als com o intuito de adequar as UCINs às necessidades individuais do recém-nascido e sua família, onde enfermeiros e outros prestadores de cuidados observam o comportamento dos bebés de forma a servir de base para a individualização dos cuidados e para tornar o ambiente o menos desconfortável e stressante. O bebé é o centro dos cuidados. A observação comportamental permite saber o que o bebé espera, o que consegue processar e o que é adequado para aquela criança em particular num período de tempo muito específico de forma a manter o equilíbrio dos sistemas corporais. Qualquer nova experiência causa algum grau de stress. Quando temos de desenvolver alguma actividade para a qual não estamos preparados automaticamente tentamos estabelecer a melhor estratégia para a ultrapassar. Podemos passar por um período de alguma instabilidade, agitação ou ansiedade com alterações discretas do ritmo cardíaco ou respiratório. Com o vislumbre do processo de resolução da tarefa e com a sua concretização rapidamente recuperamos o equilíbrio. Para bebé sensíveis este equilíbrio pode ser interrompido por actividades e condições ambientais que parecem insignificantes mas para as quais os seus sistemas corporais não estão preparados: luz, ruído, a alimentação, dor e desconforto, entre outras. Este desequilíbrio pode ser tal que a alteração do ritmo cardíaco ou respiratório exige medidas correctivas do ponto de vista clínico. Mesmos os bebés mais imaturos conseguem dizer-nos que aquilo que se está a passar à volta deles está a ser demais para aquilo que eles estão preparados para enfrentar. Alterações do ritmo cardíaco e respiratórios são em regra as primeiras manifestações, e para bebés muito pequenas podem ser as únicas. Estas alterações poder ser reversíveis e inconsequentes se a nossa resposta for pronta e eficaz fazem diminuir os índices de ansiedade que o bebé manifesta interrompendo a actividade ou diminuindo os estímulos e oferecendo estímulos positivos que transmitam tranquilidade e segurança. Outras alterações incluem a cor da pele, espasmos musculares, bocejos, soluços e manifestações motoras de recusa e afastamento, e choro. motora Desta forma os cuidados prestados vêm de encontro às expectativas individuais favorecendo o desenvolvimento. São proporcionadas experiências adequadas às suas capacidades de integração de estímulos e oferecidas condições ambientais protectoras e adequadas ao desenvolvimento sensorial de favorecendo a estabilidade fisiológica e comportamental em todos os momentos da prestação de cuidados.

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Partilha do leito entre gémeos – Co-bedding

Co-bedding

Partilha do leito entre gémeos

Partilha do leito entre gémeos

Desde a concepção que os bebés gémeos vivem em constante proximidade. Este ambiente partilhado termina com o nascimento sendo mais problemático em bebés que têm que permanecer no hospital e são colocados em berços ou incubadoras separados, privando-os da presença um do outro e da proximidade com a mãe. Para este bebés internados numa UCIN para além da separação o ambiente que os recebe é muito mais exigente e desconfortável que aquele que encontrariam se fossem para casa.

Nalguns hospitais, existe a preocupação em colocar os gémeos juntos favorecendo a co-regulação existente entre eles dentro do útero materno. Esta co-regulação é conhecida através da sincronia dos ciclos de sono-vigília dos fetos gémeos, a cumplicidade dos seus movimentos fetais, ou a constância do ritmo cardíaco ou da tensão arterial de ambos. A proximidade muito estreita que o útero materno proporciona resulta numa relação física através do toque muito chegada contribuindo para uma interdependência psicológica com benefícios afectivos e relacionais importantes que se prolongam por toda a vida. Os gémeos mantêm, em regra, uma relação muito próxima e muito peculiar ao longo da vida resultante desta presença constante e quase simbiótica no útero materno.

Assim será de grande importância manter esta proximidade quando a adversidade da separação e o internamento se impõem. Por outro lado alguns estudos referem a diminuição do número de episódios de apneias, bradicárdias e baixas de oxigénio durante a prática do co-bedding.

Quando estes bebés são internados muitos factores podem dificultar a partilha de leito ou co-bedding como:

- doença e/ou infecção de um dos gémeos ou ambos

- instabilidade fisiológica e térmica de um dos gémeos

- necessidade de apoio ventilatório

- existência de catéteres umbilicais

A proximidade e o contacto íntimo entre gémeos beneficia o conforto, comportamentos de tranquilidade e diminui o stress. Os efeitos fisiológicos bem como psicológicos tornam-se evidentes, tais como:

- estabilidade fisiológica regulando o ritmo cardíaco, respiratório, a oxigenação e a temperatura

- maior aumento de peso

- melhoria do desenvolvimento motor

- diminuiu os períodos de agitação e choro

- diminui o tempo de internamento

Se a separação após o nascimento é prolongada poderá haver uma reacção à partilha do leito de afastamento ou mesmo recusa por parte de um ou dos dois gémeos. É necessário e desejável manter a prática durante o tempo suficiente para que os gémeos se voltem a adaptar à presença um dos outro. O ideal será coloca-los em co-bedding logo após o nascimento ou logo que possível. Passado o período de adaptação, se for o caso, os gémeos desenvolvem comportamentos de aproximação tentando abraçar-se, tocar-se, sugando os dedos ou mãos um do outro e dormindo tranquilamente. Nesta fase poderão beneficiar da presença um do outro por longos períodos de tempo.

A partilha do leito é o prolongar de um estímulo/presença para o qual os bebés estavam acostumados no útero facilitando a transição entre o ambiente intra-uterino e o ambiente das UCIN. Parece favorecer o desenvolvimento global dos bebés sobretudo em bebés prematuros e/ou hospitalizados.

Consulte a equipa de saúde sobre a possibilidade os seus filhos gémeos partilharem o leito durante o internamento. A partilha do colo ou Canguru também poderá ser feito sobretudo quando só um dos pais pode estar na UCIN e tenta mimar ambos os bebés ao mesmo tempo. Este procedimento beneficia o bem-estar emocional da mãe ou pai, pois muitas vezes sentem-se divididos na hora de pegarem num ou noutro bebé.

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Do aleitamento à amamentação do bebé na UCIN – I

Amamentação na UCIN

Ninguém pode amamentar o seu filho! É uma das coisas mais importantes que pode fazer por ele – cuida da sua saúde agora e no futuro.

O leite materno é o alimento mais indicado para o crescimento e desenvolvimento do seu filho. Para o bebé que nasce prematuramente o leite materno é ainda mais vital do que para o bebé de termo. O colostrum, o nome dado ao primeiro leite segregado pela glândula mamária, é importante para proteger o intestino do bebé e protege-lo de infecções  É algo dinâmico, e por incrível que pareça a mãe que amamenta um bebé que nasceu prematuramente irá produzir leite adequado a esse bebé, ao seu bebé e a cada fase do seu desenvolvimento.

O bebé que nasceu prematuramente pode não conseguir ou estar preparado para extrair da mama o alimento necessário para crescer de forma saudável. Nestes casos é alimentado através de soros – alimentação parentérica, através de uma sonda introduzida no estômago ou do copo. No caso de a mãe optar por amamentar, o leite materno é desde logo a primeira escolha. Cada um dos métodos referidos dependem da situação clínica do bebé, da sua idade gestacional e da sua capacidade e maturidade para ser amamentado. Fornecer leite materno ao bebé, isto é aleitar, requer a extracção mecânica de leite. Aleitar o seu bebé é uma das tarefas grandiosas que poderá fazer por ele. Mesmo que ele não esteja preparado clinicamente para receber o seu leite é aconselhado que inicie a estimulação mecânica ou manual da mama logo que possível, até 6 horas após o parto. De início o bebé tomará pequenas quantidades de leite a cada 3 ou 4 horas. Não se preocupe se extrai apenas umas gotas nos primeiros dias. Cada gota será guardada e, logo possível, utilizada para alimentar  o seu filho. Os profissionais de saúde têm consciência da importância deste acto para si e para o seu filho. Peça informações e seja clara reafirmando a sua intenção de aleitar e/ou amamentar.

Benefícios do leite materno:

  • É o melhor alimento para o crescimento e desenvolvimento cerebral;
  • Contém anticorpos que protegem e ajudam o bebé a lutar contra infecções;
  • Está sempre preparado para colmatar as necessidades do bebé ao longo do tempo;
  •  Melhora a densidade óssea;

 Diminuiu a incidência de:

  • Doença e permanência no hospital;
  • Diarreia e vómitos;
  • Infecções dos intestinos;
  • Enterocolite necrotizante;
  • Cólicas;
  • Diabetes e obesidade infantil;
  • Otites;
  • Infecções respiratórias;
  • Alergias e asma;
  • Síndrome de morte súbita do latente;
  • Meningite;
  • Cáries dentárias;

O leite materno é o único alimento indicado para o bebé humano. Fornece centenas de componentes essenciais em especial se nasceu prematuro.

O bebé nascido prematuro necessita ainda mais do leite materno do que o bebé de termo!

O seu bebé necessita de fluidos e nutrientes para fazer face a este grande desafio que é viver fora do útero materno, crescer e desenvolver-se. O primeiro leite produzido parece muito diferente. É muito importante dar-lhe o seu colostrum logo que possível. O colostrum contém anticorpos que protegem o estômago e os intestinos bem como outros factores de protecção. Mesmo as poucas gotas ajudam.

O leite materno contém ácidos gordos de cadeia média e longa – ómega 6 e 3 – importantes para o desenvolvimento das células cerebrais, sobretudo para a sua mielinização. A mielina é uma substância que circunda os neurónios isolando-os. Ela é responsável pela transmissão mais rápida dos impulsos nervosos, um processo importante no desenvolvimento da inteligência. É interessante que a gordura contida no leite materno é muito elevada durante o primeiro ano de vida, altura em que a mielina é mais necessária para o desenvolvimento do cérebro humano.

Como obter o leite materno para oferecer ao seu bebé?

Quase todas as mães conseguem produzir leite. É importante deixar claro que pretende amamentar o seu filho. Os profissionais devem, encetar todos os esforços para que a aleitação e a amamentação seja uma realidade enquanto ele estiver internado na UCIN.

Muitos hospitais têm profissionais devidamente preparados para a ajudar a iniciar e manter o aleitamento materno independentemente da condição do seu filho. Poderá recorrer aos Cantinhos de Amamentação espalhados pelo país e à ajuda dos Conselheiros e Promotores do aleitamento materno! É importante extrair o leite já que é a melhor forma de o alimentar e ajudar a desenvolver-se. Pode ser necessário tempo e esforço extra para conseguir extrair o leite necessário.

Se o seu filho nasceu de parto normal o seu corpo já iniciou a produção de hormonas como a prolactina e a oxitocina para iniciar a produção de leite. O método canguru e a extracção de leite junto do bebé podem ajudar na libertação destas hormonas. Comece a extrair leite logo após o nascimento e nas primeiras 6 horas. Lembre-se que essas pequenas gotas iniciais são muito valiosas.

Pode extrair leite manualmente ou mecanicamente. Procure ajuda imediata. É importante extraia leite mais frequentemente e por curtos períodos de tempo para que inicie a produção.

Pode sentir-se ansiosa e pressionada para extrair o leite suficiente que cubra as necessidades do seu bebé. Não se aflija, de início o bebé precisará apenas de pequenas quantidades de leite. A quantidade de leite que extrai aumentará quanto mais e frequentemente conseguir extrair. Faça do momento de extracção uma rotina diária, relaxe e pense nos benefícios que está a proporcionar. Segurar o seu bebé na posição de Canguru antes de extrair pode ajudar a aumentar a quantidade de leite.

O leite é armazenado pelo pessoal hospitalar, disponibilizado e separado à medida que o seu bebé irá necessitar. Siga as recomendações da unidade relativas à extracção,  acondicionamento e armazenamento do leite materno. Em regra o leite pode ser guardado:

- 24 horas no frigorífico (< 4°);

- 3 meses no congelador.

Este leite necessita de ser cuidadosamente rotulado com o seu nome, data e hora de extracção (consoante as indicações do hospital).

Cuide de si! Beba água, alimente-se bem e descontraia.

Pense que nos primeiros dias poderá ser das poucas coisa que poderá fazer pelo seu filho e a única que só você pode dar nesta fase e no futuro!

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Transporte automóvel do bebé nascido prematuramente

Após a alta hospitalar o bebé tem que ser transportado de forma segura para o seu novo lar. A preparação para a alta engloba a preocupação com o transporte seguro do bebé no automóvel já que as cadeiras de transporte existentes no mercado não estão adaptadas a bebés que nascem prematuramente e que à data hospitalar poderão ter menos de 2500 g de peso.

O Código da Estrada, no artigo nº 55 refere ser obrigatório que:
1 – As crianças com menos de 12 anos de idade e menos de 150 cm de altura, transportadas em automóveis equipados com cintos de segurança, devem ser seguras por sistema de retenção homologado e adaptado ao seu tamanho e peso.
2 – O transporte das crianças referidas no número anterior deve ser efectuado no banco da retaguarda, salvo nas seguintes situações:
a) Se a criança tiver idade inferior a 3 anos e o transporte se fizer utilizando o sistema de retenção virado para a retaguarda, não podendo, nesse caso, estar activada a almofada de ar frontal no lugar do passageiro;
b) Se a criança tiver idade igual ou superior a 3 anos e o automóvel não dispuser de cintos de segurança no banco da retaguarda, ou não dispuser deste banco.
3 – Nos automóveis que não estejam equipados com cinto de segurança é proibido o transporte de crianças de idade inferior a 3 anos.
4 – Nos automóveis destinados ao transporte público de passageiros podem ser transportadas crianças sem observância do disposto nos números anteriores, desde que não o sejam nos bancos da frente.
5 – Quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com coima de 120 euros a 600 euros por cada criança transportada indevidamente.

Muitos hospitais estão preparados para ajudar os pais no momento da alta através do Programa Alta Segura e de profissionais qualificados. Este apoio é fornecido a todos os pais de bebés que saiam da maternidade ou de uma Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais exigindo a saída do hospital em dispositivo de transporte adequado, sem o qual o bebé não poderá ter alta. Para esta sessão de esclarecimento deverá levar a cadeira que adquiriu e o seu filho. Nalguns hospitais os profissionais deslocam-se ao carro onde poderão verificar a posição da cadeira e os apoios suplementares eventualmente necessários para a segurança do transporte.
A maioria dos sistemas de retenção homologados e existentes no mercado são desenhadas com base nos recém-nascidos de termo e não estão adaptados ao transporte de recém-nascidos nascidos prematuramente e com baixo peso. O tónus muscular e o controlo cefálico do bebé nascido prematuro são menos desenvolvidos colocando em risco acrescido de lesão a coluna cervical no caso de colisão frontal, pela retaguarda, travagens ou mesmo o atrito/oscilações da condução. A sua cabeça é pesada e associado à fraca força muscular e a parte de trás mais proeminente pode ocorrer a flexão exagerada do pescoço, o comprometimento respiratório e o agravamento do refluxo gastroesofágico. Assim o bebé necessita de ir bem aconchegado dentro da cadeira.

Para o recém-nascido ir bem contido, a distância entre o ponto de inserção dos cintos que passam nos ombros e o assento da cadeira não deve exceder 25 cm e a distância entre a inserção do cinto que passa entre as pernas e as costas da cadeira não deve ser superior a 13,7 cm. Por outro lado é aconselhado um ângulo de inclinação da cadeira de 45 graus para os recém-nascidos de termo ou prematuros. Se o assento do banco do seu carro for muito inclinado, poderá ser necessário utilizar uma toalha enrolada debaixo da cadeira (entre o banco do automóvel e a parte de baixo da cadeira). Após ter sido encontrado o plano de inclinação ideal poderão ser necessários apoios laterais da cabeça através de rolinhos feitos com fraldas de pano ou toalhas de modo a que o bebé fique bem centrado e contido no “ovinho”. Pode também ser necessário colocar uma ou duas fraldas de pano enroladas entre as pernas do bebé e debaixo do cinto da cadeira, para fazer enchimento. Não devem ser colocadas almofadas nem outras protecções atrás ou debaixo do bebé, pois podem impedir que a criança fique bem retida contra o fundo e as costas da cadeira.

Esta posição sentada é nova para o bebé requerendo vigilância nos primeiros tempos. Poderá ser necessário monitorizar os sinais vitais do o bebé enquanto está sentado na respectiva cadeira e antes da alta hospitalar para que se possa garantir o ângulo de inclinação ideal de forma a não afectar o padrão respiratório e o ritmo cardíaco. Se no decurso desta avaliação ocorrer alguma alteração da frequência cardíaca, respiratória ou diminuição da saturação de oxigénio, o bebé deverá ser transportado, nos primeiros 2 a 3 meses após a alta do hospital, em alcofa homologada para automóvel . Neste caso o bebé deve ser colocado com a cabeça para o interior do veículo.

Se o prematuro necessitar de monitorização contínua durante o transporte, o monitor deverá ser colocado em local seguro para que não de transforme num projéctil em caso de acidente.

As viagens longas devem ser desencorajadas nos bebés prematuros enquanto não tiverem um bom controlo do pescoço.

Transportar um bebé num veículo sem sistema de retenção homologado é um comportamento irresponsável, que em caso de acidente ou travagem brusca, pode ter consequências fatais, sendo também uma contra-ordenação grave punida por lei com coima e sanção acessória de inibição de conduzir.

Enf. Susana Badalo

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