Conhecer o bebé. Como saber o que necessita?

Quando os pais vêm pela primeira vez à unidade encontram um ambiente totalmente novo para eles, mas não para os profissionais. De início os profissionais ocupam-se de grande parte das tarefas e os pais podem sentir que não são necessários. No entanto há uma actividade que eles fazem e que deve de ser incentivada e continuada ao longo do internamento, sobretudo se aquela não é a altura mais adequada para tocar ou cuidar do filho: observar. É uma forma de se envolverem como que está acontecer com o bebé. Esta actividade permite que eles absorvam cada pequeno gesto, expressão e maneira de ser desenhando um quadro cheio de traços únicos e pessoais deste novo indivíduo.

Observar é uma qualidade inerente ao ser humano como forma de contacto mas sobretudo de aprendizagem. É através do órgão da visão que estabelecemos, em regra o primeiro contacto com alguém e que retiramos as primeiras impressões.

Pode acontecer que o bebé nasça de cesariana ou tenha que ser transferido para outro hospital impedindo a mãe de o conhecer. Logo que possível o pai poderá tirar uma fotografia e levar à mãe.

Aprender a linguagem destes bebés é fundamental para melhor responder às suas necessidades. É um código muito próprio, individual, diz-nos o que ele gosta e não gosta, quando se sente bem ou mal, ou com energia ou ainda cansado. Observar as expressões, as posições, os movimentos respiratórios o estádio de alerta, os padrões de sucção, as formas de auto-consolo ou regulação.

Não é o que esperavam

Dependendo do grau de prematuridade ou da gravidade da sua situação clínica pode ser chocante quando se vê um prematuro pela primeira vez. Podem parecer muito delicados, demasiado frágeis, emagrecidos, com pouca gordura corporal, e parecerem muito diferentes de um bebé com o tempo todo. Este facto deve-se à sua imaturidade porque nasceram antes do tempo.

O aspeto do bebé

Alguns prematuros têm o corpo coberto por uma camada de pelo muito fino e escuro a que se chama lanugo, que desaparecerá em breve. Pode ser do tamanho da sua mão e ter uma cor mais vermelha da pele e parecem transparentes.

Compreender o bebé

Como resposta ao ambiente ou aos cuidados os bebés podem demonstrar, genericamente, dois tipos de comportamentos ou linguagem corporal: comportamentos de aceitação e aproximação, e comportamentos de recusa e afastamento.

O que observar:

Pausas respiratóriasBoca mantem-se aberta
Alterações da cor: cinzenta, manchadaTremores
Engasgar-seEsticar dos dedos das mãos
EspirrarMão aberta à frente da cara
Soluços“Sentado no ar”
BocejosMão em guarda
EstremecerChoramingar
Arquear as costasAgitação
CaretasProtestar
Protusão da línguaChorar
Postura rígidaAgitação
ProtestarChorar
ostura rígidaEstádios de aperta difusos
Esticar para longe do corpo os membros de forma súbita e desastradaFlutuação dos olhos
Movimentos súbitosDesviar o olhar – vago
Movimentos descoordenadosOlhar fixo
Olhar vidrado

Exemplos de comportamentos de aproximação e de copping que nos indicam o quanto o bebé é competente nos seus esforços para se aclamar e confortar e a preparar-se para interagir e explorar

Respiração regularProcurar
Cor saudávelSugar
Mãos juntas; mãos dadasPostura suavemente fletida
Movimentos suaves e harmoniososCara relaxada e atenta
Pés juntos apoiados um no outroOrientação para a voz ou som
AgarrarMudanças de estádio de alerta suaves
Movimentos da mão à faceSono descansado
Mãos à bocaSorriso dirigido
Franzir do sobrolhoFacilmente consolável
Acalma-se sozinho

Alguns comportamentos demonstram que o bebé está relaxado, confortável ou interessado, são os sinais positivos ou de aproximação.
Outros mostram que ele está cansado e desconfortável, são sinais de evitamento, como se ele quisesse se afastar de algo. Quando o bebé mostra algum dos sinais de desconforto acima referidos a primeira coisa que devemos observar é o contexto da situação, moderar ou parar o que se está a fazer e esperar.

O bebé precisa de ajuda!

Como ajudar o bebé?

Adaptar o ambiente e os cuidados diários às necessidades de cada bebé

Cada bebé reage à sua maneira ao ambiente e aos cuidados. A observação e interpretação do seu comportamento permite-nos estabelecerem as estratégias mais adequadas a esse bebé, ao seu estado clínico e ao seu estadio de desenvolvimento. Os bebés mais doentes são também os mais vulneráveis, independentemente de serem mais ou menos imaturos.

Muitas unidades fazem um grande esforço para reduzir o ruído e a actividade circundante. O bebé necessita de repousar o máximo de tempo possível, e pesquisas referem que ele pode apresentar sinais de hiper-estimulação. Contudo é importante que o bebé conheça os seus pais, a sua voz, o seu cheiro. É importante legar tempo a falarem e a tocarem no vosso bebé quando ele mostra sinais de aproximação.

Cada bebé reage à sua maneira ao ambiente e aos cuidados. A observação e interpretação do seu comportamento permite-nos estabelecerem as estratégias mais adequadas a esse bebé, ao seu estado clínico e ao seu estadio de desenvolvimento. Os bebés mais doentes são também os mais vulneráveis, independentemente de serem mais ou menos imaturos.

Bebés mais pequenos e imaturos são também os que menos estão preparados para lidar com a actividade à sua volta.

A observação é o ponto de partida para tudo o que fazemos. Não há receitas universais mas estratégias gerais de adaptação e individualização dos cuidados e do ambiente. Os objectivos gerais dos cuidados individualizados são:

  • Proporcionar conforto
  • Proteger a estabilidade fisiológica
  • Proteger o desenvolvimento neurológico e sensorial em função das capacidades individuais, da idade gestacional e da situação clínica
  • Proteger o desenvolvimento postural e apoio dos segmentos corporais
  • Proteger o sono
  • Proporcionar oportunidades de relação entre os pais e o bebé e o desenvolvimento das capacidades sociais e comunicativas
  • Promover a participação activa dos pais nos cuidados, o colo, o Método Canguru, a partilha de amor

É sobretudo importante entrar em sintonia com o bebé, perceber se o que fazemos e lhe proporcionamos o deixa satisfeito, calmo e feliz. Bebés cujas expectativas são atingidas são bebés que se desenvolvem melhor em todas as dimensões da sua existência. Estes cuidados são chamados de Cuidados Individualizados e de apoio ao desenvolvimento.

Cuidados Individualizados e de apoio ao desenvolvimento
Linhas gerais para ajudar a cuidar melhor do bebé prematuro na Unidade de Cuidados Intensivos:

  • Prestar cuidados apenas quando o bebé está acordado (a não ser que sejam urgente). O sono tem um papel importante no desenvolvimento cerebral, da retina e no restabelecimento da doença.
  • Abordar o bebé de forma gentil, integrando gradualmente os estímulos. Os prematuros são muito sensíveis ao ambiente que os rodeia, rapidamente ficam cansados. Primeiro pousar as mãos de seguida saudá-lo, depois então iniciar os cuidados se a sua reação for positiva à nossa abordagem.
  • Falar com ele sempre, integrando-o nas atividades, acalmando-o, mostrar o seu afecto com palavras doces.
  • Agir calma e gentilmente com movimentos suaves. Tentar não levantar do leito mas rolar suavemente o seu corpo.
  • Dependendo da idade gestacional o bebé deve ser protegido da luz excessiva para a qual o seu sistema visual ainda não está preparado. O sistema visual é o último a maturar durante a gestação não necessitando de estímulos externos até ao nascimento.
  • Proteja o bebé do ruido. Falar em tom suave e de conversação e evitar tirá-lo para fora da incubadora em alturas de grande azáfama na enfermaria. Estudos indicam que o ruido em excesso aumenta os níveis de stress, a tensão arterial, a frequência cardíaca, respiratória e o consumo de oxigénio. Em bebé mais imaturos e sensíveis com poucas reservas pode aumentar as suas necessidades e ventilação assistida, de oxigénio e mesmo de medicamentos para manter os níveis normais de tensão arterial. Colabore para que o ambiente seja o mais calmo e silencioso possível. A sua voz é o melhor para acalmar e estimular o bebé. Cante, conte uma história ou partilhe o seu dia-a-dia com o seu filho.
  • Execute os cuidados observando as reações a cada gesto, a cada estímulo e pondere, reflita sobre o que ele está a tentar dizer-lhe, sentir, ou a atingir. Caso surjam sinais de cansaço, recusa ou instabilidade cardiorrespiratória deve, abrandar ou parar o que está a fazer. Pousar as mãos, uma sobre o seu corpo ou envolvendo as costas, e a outra em concha à volta da cabeça e aguarde. Conforte, acalme.
  • Use os materiais à disposição para ajudar o bebé durante os cuidados. Deite-o de lado, com as mãos junto da cara e da boca e os pés juntinho, sola com sola, as pernas dobradas sobre a barriga e sinta-o relaxar enquanto contém suavemente os pés. Se possível quando os lençóis são mudados coloque sempre uma mantinha suave ao toque estendida em diagonal debaixo do bebé para que, quando necessite, ou ao terminar os cuidados o possa envolver em envelope ajudando a ficar enroladinho confortavelmente. A posição de lado facilita os esforços que ele possa fazer para manter as pernas e os braços juntinhos do corpo, sente-se mais confortável e seguro. Por outro lado ajuda-o a atingir um patamar evolutivo muito importante na infância, o levar ao pés e as mãos à boca para explorar, e, nesta fase inicial da sua vida, a consolar-se ao chuchar nos dedos ou na mão. Por outro lado ao mantermos os pés juntos e as pernas sobre o abdómen de forma relaxada, a sua barriguinha também irá relaxar e aliviar tensões acumuladas.
  • Dispa-o gradualmente, voltando a tapar quando possível cada segmento corporal, contendo suavemente. Use rolos para apoiar as costas na posição de lado, e a cabeça, se necessário.
  • Ao terminar aconchegue-o com a mantinha, o ninho ou os rolos, de lado, se possível, com as mãos junto da face e os pés e pernas junto do abdómen. Sempre que possível vista-o e tape-o. O bebé sentir-se-á mais confortável.
  • Logo, e sempre que possível dê-lhe colo ou faça canguru o máximo de tempo possível e várias vezes ao dia. Caso não seja possível conforte-o na incubadora colocando um dos seus braço lá dentro envolvendo todas as costas até à nuca, e dando-lhe um dedo para que agarre.
  • Esteja presente durante as alimentações. A alimentação é, para todos nós e para os bebés que vão para casa, uma oportunidade de interação social. É mais um momento de partilha que o bebé internado deve viver. Se possível o seu leite deve ser oferecido no colo dos pais ou do enfermeiro, caso não seja possível mantenha o contacto físico com o pousar das mãos enquanto ele está dentro da incubadora.
  • Assegure-se que após os cuidados o bebé adormece tranquilamente. Mantenha o contacto físico com o pousar das mãos ou envolvendo o seu corpo, e quando estiver a dormir relaxe gradualmente o peso das suas mãos e por fim retire-as suavemente.

Estabelecer uma ligação afetiva

A separação do bebé pode dificultar a criação de laços logo após o nascimento. Isto é perfeitamente normal e acontece a muitos pais.
É importante envolver-se nas seguintes actividade

  • Pousar das mãos e toque de conforto: com o bebé na incubadora.
  • Método Canguru: contacto pele a pele entre o bebé e os pais.
  • Mudança das fraldas.
  • Alimentação: amamentação, alimentação por o tubo gástrico ou biberão.
  • Banho e cuidados à pele.
  • Se tem gémeos informe-se sobre a política de partilha do leito da unidade.

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