O Nascimento Prematuro

Bebé nascido com 25 semanas após 1 mês de vida
Prematuro de 25 semanas

Nascer prematuro: desafios

A gravidez data-se em semanas de gestação a contar do primeiro dia da última menstruação conhecida. Assim, um bebé é considerado prematuro quando nasce antes de completar as 37 semanas de gestação. O nascimento prematuro acontece por diversas razões, algumas pouco conhecidas. Em Portugal 1 em cada 9 bebé nasce prematuramente, o que representa aproximadamente 7000 bebés por ano.

Baseado na idade gestacional, o nascimento prematuro pode ainda divide-se  em:

Nascimento PrematuroIdade gestacional
Prematuridade extremaAntes das 28 semanas
Muito prematuro28-31 semanas
Moderadamente prematuro32-33 semanas
Prematuro tardio34-36 semanas
Definição de Nascimento Prematuro

Os bebés que nascem às ou após as 37 semanas são chamados de termo ou nascidos a termo.

A gravidez e o nascimento envolvem muitos riscos, e apesar de que o progresso, a melhoria das condições de vida e a evolução dos cuidados médicos têm assegurado melhores condições de saúde e vigilância para a mulher em periodo fértil e para a grávida, sabemos que são as condições de vida e as opções da mulher fatores determinates para o seu futuro, da sua gravidez e para o futuro do seu filho. A tabela abixo sumariza os principais fatores de risco para o nascimento prematuro.

TipoFatores de riscoExemplos
Nascimento prematuro espontâneoIdade na altura da gravidez e espaçamento entre gravidezesGravidez na adolescência, idade materna elevada
Gravidez múltiplaAumento do risco em gravidez de gémeos ou mais bebés
InfeçãoInfeção urinária, HIV, Sífilis, infeção vaginal bacteriana
Doença crónica maternaDiabetes, hipertensão, anemia, asma, doença da tiroide
NutriçãoMá nutrição, obesidade, deficiência de micronutrientes
Estilo de vidaFumar, consumo de álcool em excesso, outros consumos de drogas recreativas, excesso de trabalho físico ou exercício
Saúde mental maternaDepressão, violência doméstica
Genéticos ou outrosRisco genético, história familiar, incompetência da Cérvix
Nascimento prematuro induzidoIndução e cesariana por condições médicas: indicações obstétrica ou fetais Outras indicações não médicas 
Fatores de risco para o nascimento prematuro (OMS, 210)

Porquê falar do nascimento de bebés prematuros?

O nascimento prematuro é a principal causa de morte na infância, e contribui para um grande número de problemas de desenvolvimento em crianças. Os custos para o sistema de saúde, educacional e para as famílias são enormes e apresenta um grande desafio na atualidade dado o aumento da prevalência do nascimento prematuro a nível mundial, bem como da sobrevivência de bebés cada vez mais pequeninos resultante da melhoria dos cuidados médicos, das condições assitências e conhecimento científico.

A nossa espécie está programada para que os nossos fetos permaneçam nove meses dentro do útero materno. De todos os mamíferos somos os mais vulneráveis e dependentes ao nascimento, de alimento e de proteção. Contudo esses 9 meses são fundamentais para que a adaptação á vida extra-uterina tenha mais sucesso, de uma bebé robusto, capaz de mostrar do que precisa, mas também de uma mãe, pai, e família preparada para o receber.

A gravidez é um processo. Um processo de maturação, crescimento e desenvolvimento de um organismo desde a célula até ao ser complexo que conhecemos – o recém-nascido. É um processo de aprendizagem, adaptação e habituação por parte dos pais. Quando interrompido, e o bebé nasce prematuramente, não é só o bebé que é prematuro, também os pais o são.

Cada semana dentro do útero materno pode fazer a diferença para a melhor ou pior na adaptação à vida cá fora e na necessidade de apoio médico. A idade gestacional e o peso ao nascer são os principais factores que condicionam significativamente a adaptação e sobrevivência do bebé. Parafraseando Als (2008) o bebé que nasce prematuro não deixou de ser o mesmo feto que era se estivesse no útero. Deixou sim de ter aquele apoio que tinha para viver e enfrebtar antes de estar preparado o mundo fora do útero. Assim ele é desafiado, os seus sistemas corporais desafiados. É um fato de que nem todos os bebés que nascem prematuros são internados. O internamento é exigido sempre que o bebé nasce muito prematuro ou pequeno ou em bebés que necessitam de vigilância e apoio das suas capacidades de adaptação e sobrevivência à vida extra-uterina. Por norma, e se tudo estiver bem, bebés com 35 ou mais semanas de idade gestacional e perto de 2 kg de peso não necessitam desses cuidados e ficam junto da mãe.

Apesar de parecerem perfeitos e completamente formados, os bebés que nascem antes do tempo requerem um olhar diferente, uma atenção e uma vigilância dos seus sistemas corporais ainda imaturos. Uma coisa é certa as exigências do nascimento prematuro são maiores quanto maior for a sua imaturidade.

O seu cérebro, pulmões, intestinos, fígado, rins ou o sistema sensorial ainda têm um longo caminho a percorrer. Quanto mais prematuro e mais pequeno maior a imaturidade e maior o esforço de sobrevivência, os custos, o investimento e os riscos.

Em regra podem apresentar:

alterações da regulação da temperatura corporalalterações metabólicas
sindroma de dificuldade respiratória por imaturidade pulmonaranemia
apneia de prematuridaderisco elevado de infecção
hipotensãodoença pulmonar crónica: displasia broncopulmonar
hiperbilirrubinémiaenterocolite necrosante
persistência de canal arterialretinopatia da prematuridade
alterações hidro-electroliticasalterações neurológicas: hemorragia intraventricular
Repercussões do nascimento prematuro

Estas dificuldades requerem o recurso ao internamento em unidades de cuidados intensivos com o apoio de ventiladores que os ajudam a respirar, drogas que mantêm a tensão arterial normal, os níveis de açúcar no sangue, o ritmo cardíaco normal, ou a função renal adequada.

O cérebro é o sistema corporal mais complexo e que crescerá e diferenciar-se-á como nunca durante a vida do bebé.

O útero materno é, sem dúvida, o ambiente que melhor se adapta às necessidades de crescimento e desenvolvimento do feto. Este crescimento e desenvolvimento faz-se habitualmente de uma forma programada genéticamente. Isto significa que em todos nós este processo é mais ou menos igual. Ainda dentro do útero materno existe alguma influencia ambiental introduzida, sobretudo através dos 5 sentidos. Alterações hormonais e nutricionais maternas também concorrem para a escultura do cérebro fetal, algumas de forma negativa, como infecções maternas, o consumo de drogas, ou o estilo de vida. Ao nascer antes do tempo, estas condições alteram-se drásticamente e antes do que seria suposto. O internamento em unidades hospitalares também concorrem ainda mais para alterações do crescimento e do desenvolvimento.

Referências bibliográficas, Born too soon, OMS, 2010

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